Aula de redação

Sobre o Tibet

Posted on: abril 19, 2008

Com base nos textos, estude a questão do Tibet e a China. Escreva.

‘Em seu livro ‘Bestas, Homens e Deuses’, F. Ossendowsky conta um episódio por ele testemunhado em 1920, quando fugia da Revolução Russa rumo ao Tibete. Na estepe do que hoje seria o Quirguistão, um monge budista a cavalo, com o crânio raspado e a tradicional túnica amarela e roxa tibetana, atacava a galope os acampamentos do exército bolchevique, cortando as cabeças com uma espada e semeando o terror entre os soldados russos (teoricamente comunistas, mas ainda muito supersticiosos). O monge misterioso nunca foi preso, nunca foi morto, e nunca se soube quem era de verdade; mas ele se tornou uma lenda da resistência dos povos da Ásia Central à maré vencedora do que para a cultura local era “a barbárie russa” e “a abominação bolchevique”, atéia e materialista.

Pensei no relato de Ossendowsky lendo a notícia que dias atrás alguns jovens tibetanos atacaram a cavalo, armados de espadas (!), os soldados chineses que sitiavam o mosteiro Bumying, no Sichuan (uma das quatro províncias chinesas que faziam parte do Tibete pré-1950, nas quais ainda vivem muitos tibetanos), um dos que hastearam a bandeira do Tibete livre. Não pode ser coincidência. Esses jovens decidiram reencarnar o lendário monge vingador. O passado não morreu no Tibete, ele está bem presente e vivo. Da mesma forma que o opressor contra o qual lutar é no fundo o mesmo, o imperialismo militar e cultural da Rússia e da China, os grandes vizinhos que cercam a Ásia Central. A ideologia (pelo menos teórica) que os russos usavam e os chineses ainda usam para justificar a invasão ainda é a mesma, a “ditadura do povo” (do povo dominante, do ponto de vista étnico, para usar as categorias gramscianas).

Também não é coincidência que a linguagem usada pelo governo chinês para atacar o Dalai Lama seja a mesma retórica de milênios atrás. “Um lobo vestido de monge”, “um monstro com cara humana, mas coração de fera”, parecem definições bastante improváveis e até ridículas para se referir ao Dalai Lama — mas é assim que o chamou Zhang Qingli, secretário comunista de Lhasa, em resposta aos apelos ao diálogo do líder espiritual em exílio. “As autoridades chinesas e tibetanas ligadas ao regime chinês precisam criar um inimigo transformando a imagem de um campeão de moderação, como o Dalai Lama, num ser mítico hediondo, sem nenhum nexo com a realidade”, escreveu em Foreign Affairs Song Yongyi, professor de História da China moderna da universidade da Califórnia. Para conseguir fazer isso, avalia, “eles acabam utilizando o velho vocabulário maoísta, que por sua vez já era derivado de uma mistura de invectivas da tradição popular chinesa e de retórica do marxismo clássico. Parece até que voltaram para a época sombria da Revolução Cultural”.

Genocídio cultural quer dizer, hoje, hipermercados (chineses), bancos (chineses), eletrônica (chinesa), restaurantes e hotéis (para chineses) invadindo as cidades tibetanas

O Tibete deveria ter sido tombado por inteiro há décadas, pela Unesco, como Patrimônio da Humanidade. Seus mosteiros guardavam um imenso tesouro de fé, sabedoria e práticas religiosas que foi saqueado, dispersado e sistematicamente destruído pelos ocupantes maoístas durante décadas. O pouco que sobra hoje é minado pela modernização forçosa e sub-reptícia. Genocídio cultural quer dizer hoje as barulhentas comitivas de turistas chineses, vulgares e arrogantes, visitando como um lugar exótico o Palácio Potala, antigo mosteiro-mor e residência oficial do Dalai Lama e outros lugares sagrados do budismo tibetano. Quer dizer também hipermercados (chineses), bancos (chineses), eletrônica (chinesa), restaurantes e hotéis (para chineses) invadindo as cidades tibetanas. Quer dizer a ferrovia recém-inaugurada entre Pequim e Lhasa, na qual, além dos trens de carga, deverá viajar “o trem mais luxuoso do mundo”, segundo a propaganda, com “suítes cinco estrelas” para os turistas globais. Um detalhe: os vagões serão blindados, com vidros a prova de bala. Nunca se sabe…

Talvez só a Vaticano contenha um patrimônio cultural-religioso comparável aos tesouros guardados antigamente nas gigantescas lamaserias da Himalaia, onde milhares e milhares de monges produziam e conservavam obras-primas. A diferença é que o Tibete era − e só em parte ainda é − um país inteiro que vivia exclusivamente em função de seu sistema religioso, para sustentá-lo e eternizá-lo, sistema que proporcionava ao Tibete uma unidade fortíssima e identidade cultural milenária. Por isso mesmo, os chineses aplicaram-se, desde 1950, a destruir 70% dos mosteiros e matar metade dos monges tibetanos, obrigando finalmente o Dalai Lama ao exílio graças a uma fuga aventurosa, depois de muitas ameaças. Por isso, o Dalai Lama é a maior autoridade religiosa tibetana, e ao mesmo tempo seu único grande líder político.

O budismo, a cultura oriental e a cultura do mundo todo perderam no saque do Tibete. Mas a comunidade internacional não mexeu um dedo — assim como não nada fez na Armênia, em Biafra, Ruanda, e continua não fazendo no Darfur, etc. Vender Mercedes e Windows para os chineses é bem mais prioritário.

Continue aqui

http://diplo.uol.com.br/imprima2304

‘Chineses que tentaram acessar o YouTube no domingo (16/3) se depararam com uma tela em branco. O governo da China bloqueou o popular sítio de compartilhamento de vídeos depois que dezenas de clipes de protestos no Tibete foram postados na página. O governo comunista tenta conter o acesso do público a informações sobre os violentos protestos que tiveram início na sexta-feira (14/3) na capital tibetana, Lhasa, contra o controle da China sobre o país.”

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=477MON004

O Tibete vem sendo palco de protestos contra os mais de 50 anos de domínio chinês. O governo da região autônoma, apoiado por Pequim, afirma que dez pessoas morreram nos confrontos do fim de semana, mas autoridades do governo tibetano no exílio dizem que pelo menos 80 perderam a vida nos choques com a polícia.

Os protestos começaram como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês.

Centenas de monges tomaram então as ruas, e os protestos ganharam força nos últimos dias, com a adesão dos tibetanos. Os protestos têm sido apontados como os maiores e mais violentos dos últimos 20 anos.

Saiba mais sobre o que provocou os protestos, quem são os envolvidos e por que o Tibete está em disputa contra o domínio chinês.”

http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u382566.shtml

Não sou militante cego da causa palestina ou judaica. Nesse vespeiro, tenho uma opinião talvez mais pró-Israel, mas ao mesmo tempo sou contra quase todas as investidas absurdas do exército desse país.

Acho que todos temos uma ou várias opiniões sobre a disputa. Mas não podemos confundi-la com os fatos: os árabes palestinos NUNCA foram, digamos, os “donos” da Palestina. Nunca. Em tempo algum (*).

E é isso que dizem do Tibete. Que os tibetanos nunca foram “donos” do território, já que pertenceu à China há milênios, e durante um tempo sob um curioso regime de “concessão de estado quase-soberano” (ou algo assim).

Até a metade do século XX, o território palestino nunca tinha sido dos árabes ou judeus por um motivo simples (e trágico): opressão imperial. Seja de romanos, turcos-otomanos ou ingleses.

Uma grande parcela da esquerda mundial, e talvez quase toda a brasileira, é cegamente “pró-palestinos”. Não sei em que parte do “Corão” se fala em socialismo, respeito à igualdade ou às minorias.(…)”

http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/2008/03/27/tibete_uma_palestina_fora_do_fla_x_flu/

“Os chineses têm muitas coisas a responder, mas o destino do Tibete não é apenas uma questão de opressão semicolonial. É freqüentemente esquecido o fato de que muitos tibetanos, principalmente pessoas instruídas das cidades maiores, ficaram tão ávidas em modernizar sua sociedade em meados do século 20 que encararam os comunistas chineses como aliados contra o regime dos monges sagrados e senhores de terras proprietários de servos. No início da década de 1950, o próprio jovem dalai-lama ficou impressionado com as reformas chinesas e escreveu poemas louvando o presidente Mao.”

http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup155797,0.htm

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