Aula de redação

Analisando o MST

Posted on: abril 29, 2008

Faça uma redação analisado o Mst ( Movimento dos Sem-terra). Gostaria de que escrevesse, confrontando aspectos positivos e negativos do movimento.

Você pode até me dizer que não gosta – ou gosta- do movimento. Mas o objetivo deste exercício é aprender a escrever estabelendo confronto de idéias. Só isso. Certo?

São inúmeras as ações de apoio do governo atual aos movimentos ditos sociais e ao MST em particular. A dificuldade consistiria simplesmente em listá-las. A lei não é a eles aplicada, de tal maneira que podem gozar de total impunidade. E gozam de todos nós! A lei que impede a vistoria e a desapropriação das propriedades invadidas e retira os invasores da lista dos assentáveis não é observada. Propriedades são invadidas com violência – foices e facões, alguns especialmente comprados para amedrontar os proprietários e os seus funcionários, são armas brancas de uso corriqueiro. Maquinário é destruído, pessoas são feitas reféns, galpões são incendiados, sedes são depredadas – e tudo isso é chamado de “ocupações pacíficas”. O politicamente correto parece não ter mais limites, embora seja uma forma travestida dos regimes totalitários, socialistas, do século 20 e dos seus êmulos do século 21. A reforma agrária nada mais é do que um pretexto, que tem a função de justificar essas ações perante a opinião pública.

Os proprietários rurais e, agora, também os urbanos são vítimas dessa violência. Não se trata de reforma agrária, mas da eliminação do capitalismo, mediante a relativização preliminar da propriedade privada. O objetivo consiste em instaurar o socialismo autoritário em nosso país, tendo como guia as experiências cubana e venezuelana. Eis por que a bandeira do “latifúndio improdutivo” desapareceu do horizonte, pela simples razão de que ele não existe mais no País, senão marginalmente. O Brasil já efetuou a reforma agrária, a da moderna propriedade rural e do agronegócio. O que o MST procura atingir são empresas-símbolo do que o País tem de mais avançado em termos de sucesso, como a Aracruz e a Vale. Estas têm sido objeto das mais diversas arbitrariedades, tendo dificuldades em ter os seus bens preservados e fazer respeitar a lei. Mesmo tendo decisões judiciais a seu favor, estas parecem não ter nenhum valor, pois o MST e as organizações suas congêneres não consideram o Estado de Direito e a democracia representativa dignos de respeito.

As coisas, no entanto, tendem ainda a piorar. Uma prova contundente é recente documento da Ouvidoria Agrária Nacional, datado de 28 de fevereiro deste ano, intitulado Diretrizes Nacionais para Execução de Mandados Judiciais de Manutenção e Reintegração de Posse Coletiva. Com efeito, a Ouvidoria quer-se arrogar o direito de determinar as condições de execução de reintegração de posse, como se fosse um poder independente que agiria por cima dos governos estaduais. Sua pretensão consiste em impor condições às Polícias Militares para a execução desses mandatos, pondo-se na posição dos governadores estaduais. Trata-se de uma nítida usurpação destes governos. Na prática, equivaleria também a colocar-se na posição de um Poder Judiciário, cabendo, então, ao Ministério de Desenvolvimento Agrário decidir sob que condições uma sentença judicial deveria ser cumprida. A situação, na verdade, seria a seguinte: caberia a simpatizantes ou militantes dos movimentos sociais decidir se eles mesmos abandonarão ou não uma invasão. O MST e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) seriam os novos juízes deste país, numa medida de cunho autoritário.

Segundo consta das Diretrizes, a unidade policial, ao receber a ordem de desocupação, deveria articular-se com os demais “órgãos da União, Estado e Município (Ministério Público, Incra, Ouvidoria Agrária Nacional, Ouvidoria Agrária Estadual, Ouvidoria do Sistema de Segurança Pública, Comissões de Direitos Humanos, Prefeitura Municipal, Câmara Municipal, Ordem dos Advogados do Brasil, Delegacia de Polícia Agrária, Defensoria Pública, Conselho Tutelar e demais entidades envolvidas com a questão agrária/fundiária) para que se façam presentes durante as negociações e em eventual operação de desocupação”. Isto é, uma ordem judicial seria submetida à avaliação, para o seu cumprimento, de um número enorme de instâncias, cada uma devendo dar sua opinião e estar presente durante o processo dito de desocupação. Uma ordem judicial seria submetida a uma espécie de “assembléia”, que teria a incumbência de impor condições para a sua execução. Na verdade, nenhuma reintegração de posse seria cumprida em nosso país. O Estado de Direito cessaria totalmente de funcionar graças a uma instância que agiria segundo as determinações dos “movimentos sociais”. Teríamos uma subversão completa da democracia representativa, em nome de uma suposta “justiça social”.

Outro item, próprio de uma comédia de mau gosto, se não fosse essa a própria realidade, é o de que não caberia à força pública a “destruição ou remoção de eventuais benfeitorias erigidas no local da desocupação”. Ou seja, um grupo que age violentamente, destruindo as propriedades invadidas, deveria ser recompensado por suas “benfeitorias”, que seriam preservadas. É surrealista: um grupo que destrói as benfeitorias privadas que encontra em seu caminho deveria ter assegurada as suas “benfeitorias”. A propriedade privada deixaria de ser propriedade dos seus legítimos donos, passando a ser propriedade dos invasores, que teriam a proteção da polícia. As tendas de lona e as “terras” aradas rapidamente para fazer de conta que algo teria sido feito deveriam ser, assim, preservadas.

O documento faz também menção aos cuidados que deveriam ser tomados com mulheres, crianças e idosos. Interessante. Nenhuma palavra é dita sobre o fato de que o MST utiliza crianças e adolescentes como escudos para suas invasões, num desrespeito flagrante ao Estatuto da Criança e do Adolescente. É essa mesma organização política que desrespeita tão claramente a lei. E agora vem a Ouvidoria Agrária dar um respaldo aparentemente jurídico a essa situação, numa inversão completa da realidade.

Se assim continuar, amanhã as invasões serão feitas sob proteção policial!”

Denis Rosenfield, no Estadão

“Quando digo que os conservadores brasileiros – ou aqueles que deveriam ser os nossos conservadores – nada entendem de política, algumas pessoas reclamam, apontam a severidade do juízo. Querem ver?

O MST e a Pastoral da Terra, dois organismos vinculados ao petismo, pedem agora a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Eles pretendem que o Incra seja o único órgão a cuidar da reforma agrária. É um truque. O instituto é um feudo do MST e da Igreja e não obedece à orientação do ministério – que, vá lá, tem alguma mediação institucional, por mais ideologizado que seja também.

Stedile quer o status de ministro de Estado. Se o Incra se tornasse a instância máxima da questão agrária, as crises passariam a estourar todas no gabinete de Lula. Não creio que o governo acate a sugestão. Mas a cobrança dá conta de como essa gente está organizada e vai vislumbrando espaços para impor a sua agenda.

E por que abri este post falando sobre os nossos “conservadores”? O presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho da Silva, afirmou ver com bons olhos o fim da pasta, já que, afirma, a Secretaria da Agricultura Familiar voltaria ao Ministério da Agricultura. Ramalho da Silva não está ligando o nome à coisa. Não percebe o óbvio. Stedile está reivindicando o poder para a ação direta, sem mediação, embora não tenha sido eleito por ninguém.

Concordo que a Agricultura Familiar volte para o Minitério da Agricultura, até porque foi também corroída pela ideologia. Mas o custo da transferência não pode ser dar de presente um ministério a Stedile, líder, de resto, de uma causa que nem mesmo existe. Os seus sem-terra entendem de terra o que eu entendo de motores. São uma soma de sem”

“João Pedro Stédile: Pelas circunstâncias da vida. Sou filho de pequenos agricultores do Sul. Fiquei até o segundo grau no interior e sempre me mantive vinculado aos temas camponeses. Comecei minha militância ajudando a conscientizar os produtores de uva da região de minha família e atuando com os sindicatos dos produtores na região de Bento Gonçalves. Nos anos duros da ditadura militar, vinculei-me ao trabalho da CPT [Comissão Pastoral da Terra]. Foi quando aconteceu um conflito de terras no Rio Grande do Sul, em que os Kaingang [povo indígena do sul do país] expulsaram de suas terras mais de 700 famílias de posseiros pobres, sem terra. Então, a CPT me pediu para ir até lá para trabalhar com esses posseiros.

Esse episódio resultou numa ocupação de terra em duas fazendas, a Macali e a Brilhante, em 1979. Esse processo, não premeditado, desembocou, alguns anos depois, na formação do MST.

Dentro dos moldes de governabilidade e representatividade que temos no Brasil, em que medida é possível uma reforma agrária significativa?

Stédile: Há muitos tipos de reforma agrária. No Brasil, todas as forças progressistas, ao longo do século 20, sempre trabalharam com a perspectiva de realizar a do tipo clássico. Ou seja, uma reforma agrária que representasse, para os camponeses, a democratização do acesso à terra, sua vinculação ao mercado interno e um processo de combate à pobreza no campo. Um instrumento de distribuição de renda e de estímulo ao mercado interno e industrial. Todos os países hoje desenvolvidos fizeram reformas agrárias clássicas — ou seja, nos marcos do capitalismo, mas como um processo republicano de democratização do acesso aos bens da natureza.

No Brasil, perdeu-se a oportunidade de fazer esse tipo de reforma agrária, quando terminou a escravidão, em 1888. Os Estados Unidos, por exemplo, a fizeram nessa conjuntura. Depois, perdeu-se a segunda oportunidade na Revolução de 30, quando iniciamos nosso processo de industrialização. Perdemos a terceira oportunidade durante a crise desse modelo, na década de 60, quando o então ministro Celso Furtado convenceu o governo Goulart de que a saída seria uma reforma agrária. A resposta da direita foi um golpe militar.

Perdemos a oportunidade na redemocratização formal em 1985, quando Tancredo havia convidado o saudoso José Gomes da Silva para fazer o primeiro PNRA (Plano Nacional de Reforma Agrária). Ele entregou o plano que previa assentar 1,4 milhões de famílias no dia 4 de outubro e caiu em 13 de outubro.

A chance que teríamos de fazer uma reforma agrária clássica seria se o governo Lula combatesse o modelo neoliberal, articulando forças sociais e políticas do país para um projeto de desenvolvimento nacional e industrial, com distribuição de renda e combate à desigualdade. Como o governo Lula manteve uma política e um modelo econômico que subordina a nossa economia ao capital financeiro e às grandes empresas transnacionais, a reforma agrária está bloqueada. Só haverá chance se derrotarmos o neoliberalismo.

CONTINUE NO DIPLO ( NÃO DEIXE DE CONTINUAR)
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8 Respostas to "Analisando o MST"

vai tomar no cu

Aham Claúdia, senta lá.

SENTAR ONDE?

Axei uma merda nao aprendi nada
bosta procs

Eu sou a favor a MST “Movimento sem terras”.Por que se eles conseguisse terras o BRAsil seria o maior produtor de qualquer produtos.por exemplo: Muitas gente não tem dinheiro pra comprar frutas,legumes,cereaise…para ter uma vida saúdavel,porque não tem dinheiro pra comprar,então com os MST a maioria(povo) teria alimentos na mesa para o que comer.

Gostei bastante, devido aos pontos negativos. Tenho um “julgamento” à fazer na escola e era isso mesmo que estava procurando para confrontar com os pontos negativos dando respostas. Adorei, só que achei meio “pesado” devido as acusações baixas que fizeram ao MST, movimento que eu totalmente apoio. Fora isso, está tudo muito bom.

Tambem Tenho um debate e preciso de pontes positives embora Eu
Seja contra o MST . Isso n serviu mt

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