Aula de redação

Para Joana: redação Maio de 68!

Posted on: maio 5, 2008

PROPOSTA 1 – escreva sobre o legado da geração 1968

PROPOSTA 2 – Questão: o jovem de hoje pode ( ou deve) revoltar-se?

“Porém, ninguém duvida que 1968 é provocador, polêmico, contraditório e, até hoje, um enigma. Porque, 40 anos depois, ainda é impossível compreender plenamente todos os acontecimentos e mudanças atrelados aos seus perturbadores quatro dígitos. Pois a edição do Idéias deste sábado, especial, é toda dedicada a ele: o ano mais significativo do século passado. O que inclui entrevista com Zuenir Ventura (prestes a lançar novo livro sobre 68), artigo de Franklin Martins e depoimento de Sergio Paulo Rouanet.

Para dar um gostinho, segue a entrevista que fizemos com o sociólogo Michel Misse – que não apenas estava lá, como viu e viveu tudo intensamente:

No seu depoimento para o livro do Evandro Teixeira (1968 Destinos 2000), você comenta que a Passeata dos 100 Mil foi o momento crucial para o seu envolvimento político. Você havia acabado de chegar de uma cidade do interior, e se deparava com aquilo tudo… O que foi 1968, aos olhos daquele garoto recém-chegado do interior?

Eu já participava do movimento estudantil em minha cidade (Cachoeiro de Itapemirim, ES), nos meus 14, 15 anos: tínhamos um jornalzinho, eu escrevia regularmente uma coluna no principal jornal da cidade, o Correio do Sul. No entanto, foi ao chegar ao Rio, em 1967, para fazer o “científico” (como era então chamado o último ciclo do curso secundário), que me deparei com a vigorosa retomada do movimento estudantil no Rio, com base na denúncia dos acordos MEC-Usaid para a reforma universitária no Brasil. Aos poucos, fui compreendendo a gravidade política da situação nacional e a necessidade de uma reação civil ao desmantelamento das instituições que resistiam ao regime. Aproximei-me cada vez mais da esquerda, lia a Revista Civilização Brasileira, o Correio da Manhã com seu magnífico Segundo Caderno, os livros editados (e vendidos a granel, quase a preço de custo, nas livrarias) por editoras como a Civilização Brasileira e a Paz e Terra, trincheiras intelectuais contra a ditadura. A passeata dos 100 mil foi o coroamento dessa minha formação política e, como no personagem de Flaubert, de minha “educação sentimental”. Companheirismo, idealismo, um sentido de autenticidade em nossas idéias, a mudança dos costumes – cabelos grandes, o vanguardismo nas artes, a liberação sexual, o Cinema Novo, os Mutantes, tudo o mais. 1968 não foi só a passeata dos 100 mil, embora esta tenha representado, do ponto de vista político, o auge da reação civil à ditadura. Em escala mundial, as manifestações de 1968 carregavam uma primeira consciência da importância da juventude na cultura e no processo político. Eu fazia uma revista no Instituto La-Fayette, na Tijuca, onde cursava o secundário, que se chamava Cultura Jovem. O escritor Arthur Poerner lançava seu livro O Poder Jovem, lido por toda a nossa geração. Antes não havia o “jovem”, havia o “moço”, a “mocidade”, inteiramente subordinada à valorização do modelo adulto maduro. Estava-se a criar, sem que percebêssemos, a hegemonia da “juventude” nos estilos de vida adulta, que permanece até hoje. O rock, a calça jeans, os cabelos longos, o corpo sensual, uma certa androginia, o fim da virgindade feminina como condição-tabu para o casamento, tudo isso associava-se à reação contra a caretice do regime, mesmo para quem não era politizado ou de esquerda. O mundo jamais voltou a ser o mesmo, nesse aspecto. Nenhum de nós – que vivemos essa mudança – pode subestimá-la quando comparamos os costumes de hoje com os da nossa infância, nos anos 50.

Agora preciso te pedir um exercício de imaginação. E se 1968 não tivesse acontecido? E se não tivesse acontecido a Passeata, o AI-5, aquilo tudo? Como seria o Brasil hoje?

É um difícil exercício de imaginação contra-factual. Max Weber, o grande sociólogo, dizia que se os gregos tivessem perdido a batalha de Maratona, a civilização helenística teria se antecipado em mais de um século. Eles a ganharam, mas algum tempo depois foi um macedônio, Alexandre, quem levou a Grécia ao Oriente – e o cruzamento civilizacional aconteceu de qualquer modo. Mas teria sido igual num caso e noutro? Acho que não. Sem a passeata dos 100 mil, haveria ainda assim ampliação da luta contra a ditadura, a Frente Ampla (com Jango, Juscelino e Lacerda) se consolidaria etc. O resultado é inimaginável, embora a linha dura já estivesse controlando o regime e dificilmente ela largaria o poder naquele momento em favor das tendências mais liberalizantes. O AI-5 não resultou da passeata dos 100 mil, ele já estava na manga da camisa dos militares desde o cancelamento das eleições de 1965. Buscava-se o pretexto, e ele poderia ser encontrado em outra parte – mas a história não é unilateral, os acontecimentos se relacionam, se provocam mutuamente, produzem afinidades de sentido que fortalecem identidades opostas e levam à luta. Foi o que aconteceu. Se é impensável um Brasil sem a passeata dos 100 mil e sem o AI-5, mais impensável ainda é o Brasil de hoje sem esse passado. Mas certamente estaríamos melhor, sem as duas décadas de ditadura militar. Nenhuma ditadura até hoje, em nenhuma parte, deixou herança mais positiva que negativa para as gerações que lhe sucederam.

A mobilização estudantil que 1968 representa seria possível hoje? Por quê?

Não pode mais ser a mesma coisa. Havia uma ditadura e havia uma reação democrática ao regime. Depois, nos estertores do regime, aconteceram mobilizações de massa ainda maiores, jamais vistas em nossa história, por ocasião da campanha pelas Diretas e pela Constituinte. Hoje vivemos numa democracia, são poucos os motivos políticos que podem mobilizar tanta gente num mesmo lugar, embora não seja impossível. O movimento pelo impedimento de Collor provou isso, mas o sentido já era outro. O mundo também mudou muito, a mobilização tem outros meios, como a internet. Mas é claro que a força pela mudança vai buscar sempre seus motivos: hoje talvez a grande manifestação de massas no Brasil seja a representada pelas Paradas de Orgulho Gay, que acontecem em muitas cidades, reunindo milhões de pessoas. É uma mistura de desfile, de festa e de luta por direitos, muito diferente na forma das passeatas de 1968, mas sua herdeira direta. Temos hoje uma multiplicidade de manifestações, com menos gente em cada caso, mas muito mais espalhada pelo país, em luta por direitos e contra arbitrariedades políticas e por reformas profundas na estrutura agrária, por exemplo. Há hoje mais manifestações que naquela época, evidentemente, pois vivemos num país democrático que não reprime a manifestação do pensamento. Mas tendem a ser mais pulverizadas, mais específicas em seus motivos, e também mais abrangentes em suas múltiplas localizações no território brasileiro.
http://www.jblog.com.br/ideias.php?itemid=8248

“Tudo começou quando um estudante franco-alemão – Daniel Cohn-Bendit – organizou um protesto na universidade em Nanterre, perto de Paris, contra a proibição de estudantes de ambos os sexos freqüentarem o mesmo dormitório (a pílula anticoncepcional, esta sim, revolucionária, tinha sido liberada na França no ano anterior).

Cohn-Bendit e a turma dele queriam namorar e quase derrubaram o governo. Pensando bem, era uma boa causa.

Hoje Cohn-Bendit é membro do Partido Verde no Parlamento Europeu e os franceses não chegam a uma conclusão se maio de 68 foi bom ou ruim para a França.

Nos Estados Unidos 1968 foi um ano com acontecimentos mais dramáticos, não exatamente em maio.

Foi o ano dos assassinatos de Bobby Kennedy e Martin Luther King, de motins em dezenas de cidades, dos protestos contra a guerra do Vietnã na Columbia e outras universidades. Foi o ano da marcha ao Pentágono.

Foi também o ano do desbunde de Hair, do Bebê de Rosemary, de Polansky, do primeiro minuto dos Sessenta Minutos, um dos melhores programas de jornalismo na história da TV americana e que continua em pleno vigor.

Entre os protestos na França e nos Estados Unidos, a maior semelhança está nos movimentos estudantis, mas na Columbia, o mais famoso deles naquele ano, começou em abril, quando um estudante da SDS (Student for a Democratic Society) descobriu na biblioteca da escola de leis internacionais as conexões entre a universidade e o IDA (Institute for Defense Analyses), um think tank que fazia análises para o Pentágono.

O primeiro protesto, em março, foi pacífico, mas a direção da universidade puniu seis estudantes por promover protestos dentro de um dos prédios da Columbia.

Na mesma época começou a ser construído um ginásio para os estudantes, que serviria também para os moradores do Harlem, considerado um grande benefício para o bairro.

Um grupo de estudantes negros, membros da SAS (Student Afro Society), achou que o desenho discriminava os moradores e houve uma fusão dos dois protestos, até que os negros decidiram que o protesto era deles e expulsaram os brancos, porque misturavam e confundiam as causas.”

Lucas Mendes, Bbc Brasil

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/05/080501_lucasmendes_ac.shtml

LÍDER DOS PROTESTOS DE PARIS EM 1968 E DEPUTADO DO PARLAMENTO EUROPEU HOJE, DANIEL COHN-BENDIT, 63, DESMENTE QUE TENHA SE TORNADO DE DIREITA E DIZ QUE É ANGUSTIANTE SER JOVEM ATUALMENTE

SYLVAIN COURAGE
MARIE-FRANCE ETCHEGOIN

O legado do Maio de 1968, a juventude num mundo precário, a utilidade da revolta, a relação com a autoridade. Os redatores de 20 anos do “Nouvel Observateur” debateram com o eterno rebelde Daniel Cohn-Bendit [atualmente com 63 anos e deputado no Parlamento Europeu, representando o Partido Verde alemão]. Leia abaixo os principais trechos:

SOPHIE – Eu gostaria que o sr. nos explicasse como se pode ser revoltado contra a sociedade e as instituições aos 20 anos e viver plenamente dentro delas aos 60. O sr. se tornou de direita ou encerrou sua revolta?
DANIEL COHN-BENDIT
– É mais complicado que isso. Sempre é possível revoltar-se aos 60 anos. Podemos desordenar estando dentro das instituições e podemos ser enquadrados permanecendo fora delas. Quer dizer que estou enquadrado? Não sei nada sobre isso; cabe aos outros julgar. Acho que o que faço hoje como deputado europeu é importante; acredito nisso. Acredito que estou dentro e fora: ao mesmo tempo dentro das instituições, para fazê-las mudarem, e fora, para criticá-las, se for preciso.

SOPHIE – O sr. não está farto dessa imagem de adolescente rebelde que o acompanha há 40 anos?
COHN-BENDIT
– É engraçado: cinco minutos atrás você me fez a crítica contrária. Afinal, precisamos decidir: estou enquadrado ou sou rebelde? Escute, vou lhe dizer francamente: sou como sou. Não fico refletindo sobre isso a cada cinco minutos. Quando alguma coisa me revolta, eu me expresso. Tomemos o caso das Olimpíadas: estou convencido de que é preciso semear a confusão em Pequim! E repito isso em todas as mídias.
Há momentos em que é preciso interpelar as pessoas e interpelar a nós mesmos. É uma maneira de viver. Em Pequim, os atletas que vão correr, saltar, nadar também podem demonstrar que não estão de acordo, que defendem os direitos humanos. Também acredito nos jornalistas cidadãos. Haverá entre 8.000 e 10 mil jornalistas presentes. Eles poderão fazer jornalismo em Pequim, e não apenas relatar a Olimpíada.
Além disso, haverá centenas de milhares de espectadores. Se todo mundo marcar encontro na praça da Paz Celestial, quero ver como as autoridades chinesas poderão proibir o acesso das pessoas. O que poderão fazer? Mandar tanques?

ANNE-LAURE – Minha mãe esteve em Nanterre [campus da Universidade de Paris onde foram deflagrados os protestos] em 1968. Era primavera, os estudantes estavam despreocupados, viviam numa sociedade em que não havia desemprego e, hoje, vivem em boa situação, estão instalados. Maio de 68 não terá sido simplesmente um grande período de férias que não deu em nada?
COHN-BENDIT
– Era maio. O tempo estava muito bonito, é verdade. Não conhecíamos Aids nem degradação climática nem provações da globalização e do desemprego. Éramos prometéicos. Tudo parecia possível. O futuro nos pertencia. Mas é preciso recordar, também, o que era a sociedade dos anos 1960, o autoritarismo da França de De Gaulle, da Alemanha da época… A geração do pós-guerra queria apenas tomar sua vida nas próprias mãos e libertar-se da camisa-de-força de uma sociedade muito conservadora. Nesse sentido, não foram simplesmente grandes férias!
Você critica nossa geração por ter “se instalado”. O que isso quer dizer? É verdade que com o passar do tempo a gente se instala, sobretudo quando tem filhos. Eu tinha 45 anos quando meu filho nasceu. Evidentemente, isso muda a vida. De repente, você não é mais o rebelde -torna-se a autoridade. É uma outra idade que começa, uma nova responsabilidade que se carrega.
As pessoas de minha geração queriam a todo custo ser diferentes de seus pais. Elas o foram, mas sem dúvida não tanto quanto queriam. Hoje, observo que os jovens não têm a mesma preocupação de se diferenciarem. Em nossa sociedade, que não facilita as coisas para eles, querem um emprego, casa e família, como todo mundo. Eu os compreendo muito bem. O contexto e as coisas que estão em jogo não são mais os mesmos.

JÉRÉMIE – Para nós, o difícil é sobretudo nos projetarmos no futuro, imaginar como estaremos dentro de dez anos. Porque nos dizemos que tudo é incerto, que a gente não tem mais garantia de emprego.
COHN-BENDIT
– Sim, é muito mais angustiante ser jovem hoje do que há 40 anos. Mas quem tem vontade de se revoltar se revolta!

JÉREMIE – Sim, mas contra quem ou contra o quê?
COHN-BENDIT
– Não cabe a mim dizê-lo. Entretanto, quando os jovens vão para as ruas para protestar contra o contrato do primeiro emprego (CPE), são em número dez vezes maior do que os jovens que se manifestavam em 1968. A revolta é diferente. Mas é autêntica.
Em 1968, lutávamos em nome de alguma coisa. Para alguns, era a Revolução Cultural chinesa; para outros, era Cuba e, para nós, os anarquistas, era a Guerra Civil Espanhola, os conselhos operários de 1917… Todos os derrotados da história eram nossos heróis. Eles eram mais simpáticos do que os carrascos.
É claro que isso não era muito fantástico, sob o ponto de vista da coerência política. Lutar pela liberdade em nome da Revolução Cultural chinesa -havia uma contradição terrível encerrada nisso. Nós nos demos conta disso mais tarde.
Hoje, felizmente, esse tipo de falso modelo, no qual nunca acreditei, não existe mais. Não se grita mais “viva Mao!”, “viva Cuba!” ou “viva Che!”. Os altermundialistas [movimento antiglobalização], por exemplo, se contentam em dizer que um outro mundo é possível. Mas qual? E como chegar lá? É difícil determinar.
Em todo caso, 1968 não deve ser visto como modelo. Retenham simplesmente que existem momentos históricos em que alguma coisa explode -um desejo de fazer avançar, de transformar a sociedade-, e que isso pode funcionar.

DIMITRI – Se uma revolta eclodisse amanhã, será que teríamos o apoio dos veteranos de 1968, como o sr.? Não o vimos muito durante as manifestações contra o CPE.
COHN-BENDIT
– Eu estava na Alemanha. Quando eu me manifesto, as pessoas me dizem “pare, você está exagerando”. E, quando não me ouvem, me criticam: “Mas, afinal, nem sequer vimos você!”. Mas acontece que eu estava totalmente de acordo com a luta contra o CPE.

DIMITRI – No segundo semestre de 2007, a polícia entrou em Nanterre durante a ocupação da universidade. O sr. não protestou contra isso na universidade onde estudou. O sr. é favorável à lei Pécresse [sobre autonomia das universidades]…
COHN-BENDIT
– Não, sou a favor da autonomia das universidades. A idéia de uma gestão centralizada das universidades e escolas é uma insensatez.

ZACKARIA – Em 1968, a questão da imigração, das minorias discriminadas, dos bairros problemáticos, não se colocava. Não é essa a diferença principal em relação a nossa época?
COHN-BENDIT
– É verdade. Não imagino uma grande manifestação hoje cantando em coro “somos todos judeus alemães”.
Na época, esse slogan era uma maneira de combater o sentimento xenófobo anti-alemão e o anti-semitismo. Era uma palavra de ordem que reunia as pessoas. Hoje, porém, um slogan como esse não é mais concebível.
Por toda parte na Europa nos vemos diante de um grande bloqueio. Diante da imigração, a impressão que se tem é que só existe angústia: a angústia dos imigrados, a dos brancos, a da classe média. A sociedade está profundamente dividida.
Não incrimino ninguém, mas constato que as respostas a esses medos são muito difíceis de encontrar. Nas periferias, hoje, a violência é autodestrutiva.

ABDUL-AZIZ – Dizem que a urgência para o futuro é proteger o ambiente, adotar um modo de desenvolvimento sustentável. Então a gente faz o que pode. Apaga a luz quando deixa um cômodo, economiza água. Para nós, entretanto, o maior problema ainda é encontrar trabalho.
COHN-BENDIT
– Nem por isso a questão do ambiente deixa de estar diante de nós. A degradação climática é fruto de decisões equivocadas tomadas 30 anos atrás. Hoje, a ecologia consiste em tomar as decisões certas para os próximos 30 anos.
É verdade que o momento atual, o cotidiano, nos prende. Mas, se esquecermos o que precisamos fazer para que o planeta esteja habitável em 2040, os filhos de vocês vão sofrer as conseqüências e, sem dúvida, os criticarão por isso.
Se não contivermos o aquecimento climático dentro do limite de 2%, ele alcançará os 3%, e isso desencadeará catástrofes no mundo inteiro. Se o nível do mar subir dois metros, o planeta inteiro terá milhões de refugiados climáticos.
Será que teremos que erguer muros e fortalezas para prevenir migrações maciças? Vocês precisam entender quais são as responsabilidades que cabem a todos nós. “

Da Folha de São Paulo . Caderno Mais.

ARQUIVO EM PDF ( BOM!)

http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/maio68.pdf

A nostalgia dos tabus que organizavam a vida social, as saudades da família estruturada em casamentos que obrigatoriamente duravam para sempre, o repúdio às drogas, a ojeriza à política e o ostracismo das utopias igualitárias –um sonho “regressista”, uma onda conservadora parece ter varrido como tsunami os rastros deixados por 1968 no Brasil.”

“Só parece. A tendência é atribuir a 1968 o papel de berço de todos os desregramentos, todas as permissividades, todos os desrespeitos à regras e hierarquias, a crise da família”, admite o jornalista Zuenir Ventura, ele mesmo um legítimo “meia-oito”, além de autor de alentado tratado comportamental sobre a época e suas heranças (“1968 – O Ano Que Não Acabou” e “1968 – O Que Fizemos de Nós”).”

“Mas o respeito à diferença, os direitos das minorias e das mulheres são tributários diretos dos acontecimentos de 68. Não por acaso, a Parada Gay, que em São Paulo, por exemplo, chega a mobilizar centenas de milhares de pessoas, tem tanto do espírito libertário de 1968, apesar de ser um movimento bem mais recente”, diz.

“Falar em direitos das minorias, em crítica ao autoritarismo, em liberdade sexual e em direito ao prazer é falar de 1968. Essas são as principais heranças daquele ano fatídico.”

Para Zuenir, é claro que há também o legado maldito. “As drogas, por exemplo. Aquela utopia ingênua de que as drogas seriam uma forma de abertura da consciência a novas percepções, defendida por gente como o escritor Aldous Huxley [1894-1963] a partir de suas experiências com a mescalina, e pelo americano Timothy Leary [1920-96] a partir de trabalhos com o ácido lisérgico. Isso acabou. A droga provou ser um instrumento de morte desde que foi apropriada pelas multinacionais do tráfico.”

Frases dos estudantes

Liberdade

“Sejam realistas, exijam o impossível!”

“A imaginação ao poder”

“É proibido proibir”

“As paredes têm ouvidos, seus ouvidos têm paredes”

“Se queres ser feliz, prende o teu proprietário”

“O patrão precisa de ti, tu não precisas dele”

Poder

“Todo poder abusa. O poder absoluto abusa absolutamente”

“Todo poder aos conselhos operários (um enraivecido)
Todo poder aos conselhos enraivecidos (um operário)”

“Abaixo o realismo socialista. Viva o surrealismo”

“O poder tinha as universidades, os estudantes tomaram-nas. O poder tinha as fábricas, os trabalhadores tomaram-nas. O poder tinha os meios de comunicação, os jornalistas tomaram-na. O poder tem o poder, tomem-no!”

Política

“Nós somos todos judeus alemães”

“A política passa-se nas ruas”

“Viva o poder dos conselhos operários estendido a todos os aspectos da vida”

“Trabalhador: tu tens 25 anos, mas o teu sindicato é do outro século”

“Todo reformismo se caracteriza pela utopia da sua estratégia, e pelo oportunismo da sua tática”

“Quando a Assembléia Nacional se transforma em um teatro burguês, todos os teatros da burguesia devem se transformar em Assembléias Nacionais”

“Juventude Marxista Pessimista”

Revolução

“Revolução, eu te amo”

“A revolução deve ser feitas nos homens, antes de ser feita nas coisas”

“Um só fim de semana não-revolucionário é infinitamente mais sangrento que um mês de revolução permanente”

“A revolução não é a dos comitês, mas, antes de tudo, a vossa.
Levemos a revolução a sério, não nos levemos a sério”

“Quanto mais amor faço, mais vontade tenho de fazer a revolução.
Quanto mais revolução faço, maior vontade tenho de fazer amor”

Universidade

“Abaixo a Universidade”

“Professores, sois tão velhos quanto a vossa cultura, o vosso modernismo nada mais é que a modernização da polícia, a cultura está em migalhas”

Solidariedade

Divulgação
Cartaz “O movimento popular não possui templo”, feito por estudantes

“A sociedade nova deve ser fundada sobre a ausência de qualquer egoísmo e qualquer egolatria. O nosso caminho será uma longa marcha de fraternidade”

“Tu, camarada, tu, que eu desconhecia por detrás das turbulências, tu, amordaçado, amedrontado, asfixiado, vem, fala conosco”

Outros temas

“Abaixo a sociedade espetacular mercantil”

“Os limites impostos ao prazer excitam o prazer de viver sem limites”

“O sonho é realidade”

“Acabareis todos por morrer de conforto” ( frases retiradas da Folha de São Paulo)

“O sagrado, eis o inimigo”

“Abaixo os jornalistas e todos os que os querem manipular”

“Abaixo o Estado”

“Viva o efêmero”

…………………………………………

Leia o link abaixo

http://www.idelberavelar.com/archives/2008/05/maio_de_68_e_jabas.php

http://www.youtube.com/watch?v=YURKRzVV0G0&feature=related

Para aprender mais

http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2008/maiode68/

http://www.youtube.com/watch?v=mCM2MvnMt3c

http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL464249-15530,00.html#x


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