Aula de redação

Escreva sobre os conflitos internacionais (leia)

Posted on: maio 21, 2008

Dissertação: exponha os principais conflitos internacionais. Para isso você pode usar o conteúdo da entrevista.

Quero que argumente sobre as possibilidades de se resolverem esses conflitos.

Ah! Aproveite para estudar um pouco de História.

Um texto da entrevista com professor de Direito Internacional
Gilberto M. A. Rodrigues. O Site é o Cenário Internacional
O mundo pós-11 de setembro não é mais o mesmo de antes. Novos atores beligerantes não-estatais se inseriram no cenário internacional colocando em xeque o poder e a soberania dos Estados. Além disso, a maioria dos conflitos internacionais nesse início de século são travados com atores sem rosto. Para discutir estas e outras questões, o Cenário Internacional entrevistou o Prof. Dr. Gilberto Marcos Antonio Rodrigues. Ele é professor de Direito Internacional da Universidade Católica de Santos e da FASM/SP e coordenador do Grupo de Análise e Prevenção de Conflitos Internacionais (GAPCon).

Cenário Internacional: Professor, o mundo pós-11 de setembro não é mais o mesmo de antes. Novos atores beligerantes não-estatais se inseriram no cenário internacional colocando em xeque o poder e a soberania dos Estados. Os ataques às Torres Gêmeas, aos trens de Madri e de Londres são claros exemplos de organizações não-estatais ameaçadoras da paz e da segurança internacional. Com isso, ficou mais difícil para os Estados identificarem os autores de atos horrendos como os mencionados acima. Na sua opinião, há uma estratégia para a contenção desses grupos terroristas? Qual?

Gilberto M. A. Rodrigues
:
Os novos atores não-estatais desafiam a matriz pós-Carta de São Francisco, que reconhece os Estados e as organizações internacionais e regionais como atores principais. O Direito Internacional dispõe de mecanismos para reconhecer grupos beligerantes que enfrentam governos centrais, tal reconhecimento gera o bônus da legitimidade para o diálogo e o ônus do respeito ao Direito Internacional Humanitário (Direito de Genebra). O que se vê no pós-11 de setembro, é a afirmação de organizações transterritoriais, sem sede nem personalidade jurídica, atuando em redes. Para a teoria da negociação, o desafio é: como localizar e conferir legitimidade para os interlocutores dessas organizações? Não basta combatê-las com organizações criminosas transnacionais – com os mecanismos policiais, de inteligência e judiciários (embora seja legítimo faze-lo, incluindo com os mecanismos de cooperação internacional). A questão é que tais organizações encontram respaldo de governos de alguns países e constituem a resposta trágica a intervenções, unilateralismos e heranças coloniais e colonialistas remotas, não resolvidas – na perspectiva da economia, da política, da cultura, do direito…E, principalmente, não será com Guantánamo e outras formas de Estado Leviatã que se logrará impedir o terrorismo. Pode dificultar, mas com um custo altíssimo, sem resolver, podendo mesmo agravar, o problema.

Cenário Internacional: A grande questão é: a maioria dos conflitos internacionais nesse inicio de século são travados com atores sem rosto. Em julho de 2006, Israel travou uma batalha com o Hezbollah que durou 34 dias, onde houve séria violação dos direitos humanos por parte do Estado israelense, matando centenas de civis. Na Palestina, o Hamas, que tem o controle do parlamento, enfrenta um embargo da Comunidade Internacional resultando num enorme déficit orçamentário causando assim um aumento significativo da pobreza, se digladia com o Fatah, que é o partido do presidente da Autoridade Palestina pelo poder e controle regional. A ONU e os Estados Unidos acusam os Xiitas iranianos de influenciar os Xiitas iraquianos a se rebelarem contra as forças de coalizão nos territórios iraquianos, na tentativa de desviar a atenção dos programas de enriquecimento de urânio do Irã. Resumindo. O cenário no Oriente Médio não é dos melhores. Gostaria que você comentasse um pouco esse assunto.

Gilberto M. A. Rodrigues
:
O cenário do Oriente Médio tem uma questão-chave histórica: o Estado Palestino. Israel se estabeleceu, atacou, defendeu-se, sempre com o apoio incondicional dos EUA. O antiamericanismo só fez por aumentar na região, com exceção do período Clinton, em que houve efetivamente um conjunto de gestos que poderiam ter levado a uma paz mais duradoura. Israel, como país ocidental em região predominantemente islâmica, sente-se inseguro e sua tendência é sempre aumentar a zona de segurança de seu entorno. Por isso é tão complicado para os israelenses ceder a soberania plena da Cisjordânia e de uma parcela de Jerusalém. No pós-11/9, os grupos mais radicais ganharam terreno, os moderados perderam, e a situação se agravou. A aproximação dos EUA com líderes moderados tem o efeito de amaldiçoá-los, quase todos tornam-se alvos do terrorismo. Os palestinos foram e continuam sendo usurpados em seus direitos históricos. Muitos israelenses sabem e concordam que isso não está correto. Mas o 11/9 derrubou as poucas pontes de diálogo que havia. Não tenho dúvida de que a pacificação da região passa por uma negociação séria com a Séria e o Irã, dois atores fundamentais. Sem isso, pouco mudará.

Cenário Internacional: A morte do brasileiro Jean Charles é resultado da neurose causado por atos terroristas como o dos trens de Londres. Nos Estados Unidos, recentemente foi aprovado o “Ato Patriota” que dá poderes especiais a juizes e policiais para prender e/ou investigar qualquer pessoa acusada de ser terrorista. Além disso, os próprios americanos estão construindo um muro ao longo da fronteira com o México. Na Venezuela, o presidente Chávez prega o “socialismo do século XXI” que em nada é diferente do socialismo de vanguarda. Professor, o mundo está sofrendo um efeito retrógrado?

Gilberto M. A. Rodrigues
:
Aquilo que o Norberto Bobbio chamou de “A era dos Direitos” sofreu um duríssimo abalo no pós-11/9, um processo ainda em curso. O Direito Internacional dos Direitos Humanos foi solapado por uma série de atos de George Bush, que contou com respaldo do Capitólio, até a última eleição com a vitória dos Democratas. Claro que há processos mais profundos em curso que o 11/9 agravou: a crescente discriminação de estrangeiros e imigrantes, o fosso entre ricos e pobres. George Duby, notável medialista francês, comparou o ano 1000 com o ano 2000 e identificou os medos que havia na virada do primeiro milênio com a do segundo. Um desses medos, que havia lá como cá, é o medo do outro, daquele que é diferente. A única forma de enfrentar esse medo é conhecendo o outro, mas para isso é necessário despir-se de preconceitos, de pré-juízos de valor, e estar aberto. Há governos e parcelas da sociedade contemporânea que não estão dispostas a essa convivência, a esse diálogo. Ele ameaça a percepção identitária do indivíduo e da sociedade. Dou um exemplo: como seria num país majoritariamente cristão, com governo laico, o respeito ao culto, à língua, aos interditos, de milhares de imigrantes estrangeiros islâmicos? Veja-se o caso da França, quanta polemica e quanta dificuldade em lidar com essa situação. Uma das saídas possíveis reside na two track diplomacy, na diplomacia cidadã, que envolve a sociedade civil dos países. Isso foi colocado em prática entre palestinos e israelenses e funcionou, até o 11/9. As cúpulas das Igrejas poderiam dialogar mais e fazer aquilo que os governos não podem ou não querem fazer.

Cenário Internacional: Na América Latina, Hugo Chávez esbanja agressividade nos seus discursos anti-norteamericano, concomitantemente a isso, compra armamentos da Rússia e do Irã apoiados pelos recursos do petróleo. Na sua opinião, há um risco de haver um conflito regional entre os Estados Unidos e a Venezuela a médio e longo prazo?

Gilberto M. A. Rodrigues
:
O grande mérito de Chávez foi ter criado uma política internacional alternativa à que estava em curso, isso independentemente de se concordar com seus métodos e ações. O fenômeno Chávez surge num processo amplo de crítica e auto-crítica da sociedade global sobre o modo de produção capitalista e de sua péssima distribuição de riqueza. O Fórum Social Mundial, que nasceu como contraponto do Fórum de Davos, foi a grande alavanca de pensamento social para a ascensão de novos líderes na América Latina e Caribe: Lula, Chávez, Evo Morales, Rafael Correia. Mesmo os que não são identificados com a chamada esquerda radical socializante, tem um compromisso com as políticas públicas sociais que foram massacradas durante o período do Consenso de Washington. Isso é reconhecido hoje pelo Banco Mundial e pelo BID. A questão é: como realizar as mudanças e abrir espaço para os Direitos Humanos Econômicos, Sociais e Culturais, sem prejudicar, sem violar e comprometer os Direitos Civis e Políticos? Como governar com governança, sem caudilhismo, sem neopopulismo, com respeito ao estado de Direito? Na Venezuela, com toda a excepcionalidade que se deve reconhecer naquele país (oposição não-democrática, tentativa de golpe contra o presidente, apoiado pelos EUA…) o que se observa é uma tendência à usurpação da democracia, com apoio popular. Não creio que haverá um enfrentamento regional entre os EUA e a Venezuela, o que pode haver é um corte de relações, mas isso já existe entre a Venezuela e o Peru e o Chile. Chávez tende a se isolar em seu processo de cooptação via petróleo. Mas quem sabe, esperemos, novos acontecimentos possam moderar as posições e apontar para convergências e o retorno da diplomacia.

http://www.cenariointernacional.com.br/default2.asp?s=entrevistas2.asp&id=499

6 Respostas to "Escreva sobre os conflitos internacionais (leia)"

pomba esse negocio me ajudou um monte mesmooo
brigada mew ameii !
beijos

esse site é bom mais nao fala esatamente sobre
os conflitos internacionais como que uma pessoa pode
saber por ex: sobre a chechenia

obrigado pela orpotunidade .

é mesmo , nao fala muito sobre os conflitos internacionais .

Queria saber tudo sobre os conflitos internacionais em todos os paise

não fala exatamente sobre o que quero saber

gostaria de saber mais sobre esse assunto

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