Aula de redação

O que define a maturidade

Posted on: junho 8, 2008

Escreva uma dissertação em que você busque responder à questão: o que define a maturidade?

foto do ator James Dean

Você terminou a faculdade, casou e teve filhos. É seguro dizer que se tornou um adulto? Não necessariamente, afirma uma pesquisadora britânica. Ela verificou que, para muitas pessoas, a “fase adulta” (maturidade) não é definida pela passagem por eventos tradicionais, mas pela uma mudança na personalidade e no comportamento.

“Verificamos que os indicadores tradicionais da fase adulta – como casar ou conseguir um emprego – tiveram pouca importância para nossos voluntários”, disse Fiona Ulph, da Universidade Southampton, em Highfield. Em vez disso, “parece que as características que estimulam o individualismo foram importantes na definição da maturidade”.

Os resultados do trabalho se basearam nas respostas que mais de 1,3 mil homens e mulheres britânicos com mais de 16 anos deram aos questionários aplicados. Os voluntários foram divididos quase na mesma proporção em quatro faixas etárias: 16 a 20 anos, 21 a 24 anos, 25 a 30 anos, e mais de 30 anos. A todos foi solicitado identificar os eventos que representavam a transição para a fase adulta e em que grau esses indicadores eram válidos para cada um deles.

Num encontro recente da Sociedade Psicológica Britânica, realizado em Blackpool, Ulph informou que certas medidas tradicionalmente aceitas como sinal de maturidade – como casar, completar a educação, ter um filho ou sair de casa – foram consideradas não mais que “um pouco importantes”. Ela verificou ainda que esses indicadores, geralmente, ficaram em desvantagem em comparação com definições mais abstratas de crescimento – como ter uma sensação de independência, de maturidade emocional ou de responsabilidade.

Reuters Health. Portal Terra.

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Malandragem

Cazuza

Quem sabe eu ainda sou uma garotinha
Esperando o ônibus da escola sozinha
Cansada com minhas meias três-quartos
Rezando baixo pelos cantos
Por ser uma menina má
Quem sabe o príncipe virou um chato
Que vive dando no meu saco
Quem sabe a vida é não sonhar

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança e não conheço a verdade
Eu sou poeta e não aprendi a amar

Bobeira é não viver a realidade
E eu ainda tenho uma tarde inteira
Eu ando nas ruas, eu troco um cheque
Muda uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo pra cantar”

Música e letra Malandragem

http://www.youtube.com/watch?v=iShDYFgivC4&feature=related

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idults e Peter Pans – sujeitos da cultura de consumo

Na cultura de consumo contemporânea, é possível constatar que o mercado tem investido num público denominado «kidults» ou «Peter Pans». O primeiro termo é uma associação de duas palavras da língua inglesa: Kid (crianças) e adults (adultos). Já o segundo termo, «Peter Pans», diz respeito a uma personagem principal de um conto escrito por Matthew Barrie. Essa personagem vive na Terra do Nunca, lugar onde crianças que lá vivem nunca crescem – daí o nome do lugar. Ambos os termos têm sido empregues para indicar que jovens e adultos consomem produtos antes direcionados ao mercado infantil. Parece haver um saudosismo no ar, uma busca em reviver a infância através do consumo de certos objetos.
Entre tais produtos estão aqueles com imagens de personagens como a Moranguinho, a Hello Kitty, a Betty Boop, Barbie e também outras de desenhos animados, como os da South Park e da Disney. Essas personagens estampam cadernos, fichários, meias, camisetas (em tamanhos adulto), bolsas, pulseiras, relógios, porta-jóias, chaveiros, porta-retratos, almofadas, enfim, uma série de diferentes produtos. E não pára aí. Também são produzidos gêneros alimentícios e programas televisivos voltados a esse novo mercado.
Os motivos que levam tais jovens e adultos a se posicionarem como «Kidults» ou «Peter Pans» podem ser encontrados em um espaço interessante de investigação: comunidades do «Orkut». Em uma dessas comunidades(1), cujo tópico era “Eu me acho um «kidult pq»…” uma jovem brasileira, de 28 anos, escreveu: “Eu amo… lojas infantis, morro de rir de desenhos animados, amo os filmes da Disney, fico horas em lojas de brinquedos, sempre que posso convenço meus filhos a comprar um brinquedo porque eu quero tirar uma casquinha….Tudo meu é da Hello Kitty….” Respondendo ao mesmo tópico, outro jovem brasileiro, de 25 anos, escreveu: “estou voltando a ser criança pq tenho uma filha de 3 anos e minha casa está novamente se enchendo de brinquedos e vídeos infantis…”. Essas duas falas apontam não só os gostos desses jovens por tais produtos de consumo infantis mas, sobretudo, duas posições de sujeitos que parecem se conciliar: a de «kidults» e a de pai/mãe.
Contudo, não é apenas no espaço privado que se evidencia tal comportamento mas também no espaço público, como sugere a fala de outra jovem brasileira: “Acho que me encaixo perfeitamente nesta terminologia, hehehe. Meu escritório é cheio de bugigangas pra todo lado, gosto de fazer do meu ambiente de trabalho um lugar fofinho, gostoso, cheio de fotografias da minha filhota, brinquedinhos pra quando ela vier e tudo o mais”. O que se pode inferir a partir dessa fala é que a cultura do espetáculo aliada a uma certa flexibilização do trabalho podem favorecer tal comportamentos na esfera privada.
Porém, uma ressalva precisa ser feita: antes de esse mercado «kidult» ser impulsionado pela cultura de consumo, pais e mães também compravam produtos infantis e brincavam com seus filhos. Uma das principais razões que motivavam tal comportamento dizia (e ainda diz) respeito às “obrigações” do papel de pai e mãe. Na atualidade, porém, pais e mães podem comprar um brinquedo para eles próprios brincarem.
A cultura de consumo não é a causadora deste comportamento, mas corrobora com ele ao torná-lo um fenômeno da moda, ao conformar os nossos gostos, nossos desejos, nossos sentidos, transformando-os em algo que podemos adquirir, comprar, usar. Contudo, uma importante contribuição que tal fenômeno traz consigo talvez seja o questionamento dos diferentes modos de ser adulto na cultura contemporânea. Neste sentido, a psicanalista Maria Rita Kehl indaga:
— Quem disse que “a próxima etapa” na vida de um(a) jovem(a) é necessariamente determinada por “maturidade, responsabilidade e compromisso”?
— Onde, na história recente, encontramos os adultos que o ideal moderno impôs como parte da natureza humana?

1) Trata-se da comunidade kidults, que tem 5.846 membros. O endereço é: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=104602&tid=2426430009963777081&start=1

Referências
KEHL, Maria Rita.

http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=5140

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Passagem pela adolescência – Rosely Sayão

“Filho criado, trabalho redobrado.” Esse conhecido ditado popular ganha sentido quando chega a adolescência. Nessa fase, o filho já não precisa dos cuidados que os pais dedicam à criança, tão dependente. Mas, por outro lado, o que ele ganha de liberdade para viver a própria vida resulta em diversas e sérias preocupações aos pais. Temos a tendência a considerar a adolescência mais problemática para os pais do que para os filhos. É que, como eles já gozam de liberdade para sair, festejar e comemorar sempre que possível com colegas e amigos de mesma idade e estão sempre prontos a isso, parece que a vida deles é uma eterna festa. Mas vamos com calma porque não é bem assim.
Se a vida com os filhos adolescentes, que alguns teimam em considerar um fato aborrecedor, é complexa e delicada, a vida deles também o é. Na verdade, o fenômeno da adolescência, principalmente no mundo contemporâneo, é bem mais complicado de ser vivido pelos próprios jovens do que por seus pais. Vejamos dois motivos importantes.
Em primeiro lugar, deixar de ser criança é se defrontar com inúmeros problemas da vida que, antes, pareciam não existir: eles permaneciam camuflados ou ignorados porque eram da responsabilidade só dos pais. Hoje, esse quadro é mais agudo ainda, já que muitos pais escolheram tutelar integralmente a vida dos filhos por muito mais tempo.
Quando o filho, ainda na infância, enfrenta dissabores na convivência com colegas ou pena para construir relações na escola, quando se afasta das dificuldades que surgem na vida escolar -sua primeira e exclusiva responsabilidade-, quando se envolve em conflitos, comete erros, não dá conta do recado etc., os pais logo se colocam em cena. Dessa forma, poupam o filho de enfrentar seus problemas no presente, é claro, mas também passam a idéia de que eles não existem por muito mais tempo.
É bom lembrar que a escola -no ciclo fundamental- deveria ser a primeira grande batalha da vida que o filho teria de enfrentar sozinho, apenas com seus recursos, como experiência de aprender a se conhecer, a viver em comunidade e a usar seu potencial com disciplina para dar conta de dar os passos com suas próprias pernas.
Em segundo lugar, o contexto sociocultural globalizado atual, com ideais como consumo, felicidade e juventude eterna, por exemplo, compromete de largada o processo de amadurecimento típico da adolescência, que exige certa dose de solidão para a estruturação de tantas vivências e, principalmente, interlocução. E com quem os adolescentes contam para conversar?
Eles precisam, nessa época de passagem para a vida adulta, de pessoas dispostas a assumir o lugar da maturidade e da experiência com olhar crítico sobre as questões existenciais e da vida em sociedade para estabelecer com eles um diálogo interrogador. Várias pesquisas já mostraram que os jovens dão grande valor aos pais e aos professores em suas vidas. Entretanto, parece que estamos muito mais comprometidos com a juventude do que eles mesmos.
Quem leva a sério questões importantes para eles em temas como política, sexualidade, drogas, ética, depressão e suicídio, vida em família, vida escolar, violência, relações amorosas e fidelidade, racismo, trabalho etc.? Quando digo levar a sério me refiro a considerar o que eles dizem e dialogar com propriedade, e não com moralismo ou com excesso de jovialidade. E, desse mal, padecem muitos pais e professores que com eles convivem.
Os adolescentes não conseguem desfrutar da solidão necessária nessa época da vida, mas parece que se encontram sozinhos na aventura de aprender a se tornarem adultos. Bem que merecem nossa companhia, não?

http://cronicasbrasil.blogspot.com/2008/03/passagem-pela-adolescncia-rosely-sayo.html

3 Respostas to "O que define a maturidade"

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