Aula de redação

Pierre Bourdieu

Posted on: junho 8, 2008

“Por isso Bourdieu foi ao mesmo tempo um defensor veemente da autonomia do campo intelectual e, mais tarde, como ele próprio reconhecia, um defensor ardente da transgressão dos limites da etiqueta acadêmica, que pretende preservar a pureza do conhecimento confinando seus atores na redoma do Saber. Por isso, em nome da mesma exigência, apesar ou principalmente devido à sua notoriedade, Bourdieu conclamava à constituição de um intelectual coletivo apto a se opor ao individualismo narcisista dos intelectuais que se dedicam prioritariamente aos meios de comunicação que os consagram.”

http://diplo.uol.com.br/2002-08,a394

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Pierre Bourdieu (Denguin, 1 de agosto de 1930Paris, 23 de janeiro de 2002) foi um importante sociólogo francês.

De origem campesina, filósofo de formação, chegou a docente na École de Sociologie du Collège de France, instituição que o consagrou como um dos maiores intelectuais de seu tempo. Desenvolveu, ao longo de sua vida, mais de 300 trabalhos abordando a questão da dominação e é, sem dúvida, um dos autores mais lidos, em todo o mundo, nos campos da Antropologia e Sociologia, cuja contribuição alcança as mais variadas áreas do conhecimento humano, discutindo em sua obra temas como educação, cultura, literatura, arte, mídia, lingüística e política. Também escreveu muito analisando a própria Sociologia enquanto disciplina e prática. A sociedade cabila, na Argélia, foi o palco de suas primeiras pesquisas. Seu primeiro livro, Sociologia da Argélia (1958), discute a organização social da sociedade cabila, e em particular, como o sistema colonial interferiu na sociedade cabila, em suas estruturas e desculturação.

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Bourdieu

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Pierre Bourdieu

Ilana Goldstein

Pierre Bourdieu costumava dizer que praticava um “esporte de combate”. Não, Bourdieu não era boxeador ou lutador de jiu-jitsu. Era sociólogo. Esse badaladíssimo intelectual francês, falecido aos 71 anos há dois meses, via a Sociologia como um espaço para a luta, para o conflito. Bourdieu, autor de mais de 300 publicações, figura carismática e polêmica, um dos principais cientistas sociais do mundo, foi objeto de uma verdadeira adoração por parte de estudantes e pesquisadores das ciências humanas, mas costumava receber também críticas bem ácidas. Nos dias seguintes à sua morte, multiplicaram-se na Europa os cadernos especiais em jornais e revistas e as homenagens na televisão. O que chega a ser irônico se pensarmos que a mídia era um dos alvos preferidos dos seus ataques.

Nascido em 1930, Bourdieu cursou primário e ginásio num internato “rude e violento”. A experiência marcou-o para sempre. É o que atesta a pista biográfica que acaba de ser divulgada pela revista Nouvelle Observateur que publicou – sem autorização da família – um trecho das memórias que Bourdieu estava escrevendo quando morreu. O autor conta ter descoberto, no internato, a opressão da disciplina, a traição e o dedo-durismo entre colegas, o sadismo dos bedéis ao exercer seu pequeno poder, as estratégias e espertezas dos internos para conseguir seu lugar ao sol e a discriminação baseada na aparência física, na maneira de falar e no sobrenome das crianças (o dele era motivo de piada por soar “caipira”).

Essa confissão lança luz sobre as motivações que o levaram a lutar, ao longo da vida e da obra, contra todas as formas de dominação e de mascaramento da realidade social. Bourdieu dissecou, no livro A Reprodução, de 1970, o funcionamento do sistema escolar francês que, ao invés de transformar a sociedade e permitir a ascensão social, ratifica e reproduz as desigualdades. Em Sobre a Televisão – que vendeu 150 000 exemplares em 1996 – desvelou o círculo vicioso da informação televisiva: um canal copia o outro, os mesmos convidados estão em todos e a necessidade de audiência impede a inovação. A Distinção (1979), seu best-seller, trata dos julgamentos estéticos partindo da idéia de que as pessoas emitem julgamentos de valor – do tipo “detesto música sertaneja” – para se diferenciar de quem está numa posição hierarquicamente inferior.

Para além da contribuição teórica, a polêmica que envolve o nome do autor tem a ver com sua atuação pública e sua atitude engajada – de combate. No final da carreira, vinha tentando aproximar reflexão intelectual e militância política, o que se traduz no tom engajado das últimas obras. Em Contra-Fogo, de 1999, Bourdieu analisa as estratégias retóricas do “discurso neoliberal”, que se apóia em expressões de liberdade e relaxamento (em vez de “demissão” fala-se em “enxugamento”, dando a idéia de algo saudável e positivo).

Não causa surpresa saber que o autor foi o mentor do grupo Raisons d’Agir, composto de cientistas, políticos e sindicalistas com o objetivo de coordenar manifestações internacionais contra o desemprego e a exclusão social. O grupo organizou um encontro em Viena, em 2000 – no auditório em que Bourdieu deu sua conferência contavam-se mais de 5 000 pessoas e havia um telão do lado de fora para quem não havia conseguido entrar. É por tudo isso que, em maio passado, o diretor Pierre Carles lançou um filme sobre ele intitulado A Sociologia é um Esporte de Combate. Para desgosto de seus adversários, que o acusam de ultrapassado, Pierre Bourdieu foi até estrela de cinema.

Ilana Goldstein é antropóloga, mora em Paris, e trabalhou na filial alemã do grupo Raisons d’Agir, criado por Bourdieu

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