Aula de redação

Pediatria Radical, o parto de cócoras.

Posted on: julho 6, 2008

Continuação da entrevista que eu, Rose, fiz à Dra. Relva ( não deixe de ler os outros posts)

– O movimento hippie , décadas de 1960 e 70, resgatou o parto de cócoras, além dele, o parto, em casa. O que acha dessas práticas? Luxo ou simplicidade?

– Esse resgate se perdeu e está sendo retomado por ‘ativistas’ do parto natural, ou normal, mas é uma corrida por fora do sistema. A grávida tem que providenciar uma casa de parto ou hospital PN-friendly, onde possa dizer (e ser acatada) sobre o que acha que convém a ela e ao bebê, no para se protegerem de intervenções que não lhe interessam. Mas ainda é um luxo, pois ela tem que providenciar sua própria equipe ‘humanista’. O contra-senso já está na palavra ‘humanizado’, pois se trata de evento humano, requerendo tratamento ‘humanizado’ …

– Com tanta teoria, modismos, profissionais à disposição, será que a mulher acaba perdendo contato consigo mesma? Quero dizer que, a partir do momento em que engravida, deixa de ser sujeito para se tornar objeto, “mercadoria” à disposição de muitos?

– A gestante, como eu disse, torna-se refém da sociedade, do sistema de saúde e das equipes multidisciplinares de plantão que vão ensinar-lhe a cuidar dos ‘peitos’, a amamentar, a cuidar do seu bebê e de si mesma. Mesmo porque esse contato foi perdido com o advento da modernidade. A mãe tornou-se refém para sempre dos donos do suposto saber. Para ser sujeito dos eventos ligados à maternidade, precisa peitar o sistema, coisa quase impossível, pois ela é levada a duvidar de si mesma e de sua capacidade de parir e de cuidar da cria. Essa atitude de peitar o status quo se lhe torna penosa, até perante outras mulheres. Isso, por causa da culpa que o assunto lhes provoca.

– Existe alguma relação entre sexualidade e maternidade? Posso dizer que a mulher vive mais plenamente a sua gravidez à medida que é sexualmente “resolvida”?

– Teoricamente, sim, mas há mais variáveis do que sonha nossa filosofia: ao descompromisso, plenitude ou não, do ato sexual segue-se a seriedade da notícia “Estou esperando um filho”. A partir daí, viver a maternidade plena e, com certa autonomia, é quase uma atitude de contracultura.

– Sabemos hoje que muitas mulheres vivem a gravidez, sem o apoio de marido ou namorado. Isso é prejudicial? Qual é o papel do homem, durante a gravidez da mulher?

O papel do companheiro e pai é importante, a maternidade é um empreendimento que demanda muitas mãos. O pai que “engravida” junto pode ajudar mais efetivamente. Mas, de certa forma, todo pai é adotivo, pois ele precisa conviver com o bebê para senti-lo como filho seu. Já a mãe, ela aceita o bebê desde a ‘anunciação’ conferida pelo teste de gravidez.

ai com filha.

6 Respostas to "Pediatria Radical, o parto de cócoras."

ROSE,

SIGNIFICATIVO ESTE SEI TRABALHO.
GRAVIDEZ/PARTO/AMAMENTAÇÃO,
TÃO NATURAL PARA O SER VIVO.
GOSTEI DAS RESPOSTAS
DA MÉDICA ENTREVISTADA.
MUITO ELUCIDATIVA.
E GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA X
ABANDONO?
ESTÁ TÃO EM MODA…
AGUARDO NOVOS TRABALHOS SEUS.

porque? que o parto e inportante

ola,meu nome é maryana tenho 22 anos e tenho 2 filhos,mayra luíza de 4 anos e henzo de 2 anos.
minha primeira filha mayra nasceu atraves de cesariana e por ter ocorrido complicações em meu parto minha filha hoje é prematura e meu segundo filho henzo nasceu atraves de parto normal e hoje é uma criança linda e saudavel
meu recado é para todas as mulheres q visitarem esta pagina
“escolham sempre o parto normal”!
obrigada

Marina

muito obrigada pela leitura atenta!

Brenda

Você pergunta pq é importante o ‘parto normal’?

Os motivos são fisiológicos para mãe e bb: para ela, pela inundação dos hormônios, que sinalizam que está apta a parir, uma vez que o bb está pronto para nascer; pela via natural, ela não sofre uma cirurgia de extração do feto, mas completa o ciclo gravídico-puerperal com plena consciencia e participação no processo que está acontecendo dentro de SEU corpo; ela e o bb fazem o ‘trabalho’ juntos e este nasce após as compressões do canal do parto, que expulsam os líquidos pulmonares residuais e promovem uma massagem em sua pele, cheia de receptores sensitivos, que o tornam mais apto a VIVER. Em seguida, a mãe o toma em suas mãos e o leva ao seio, coroando assim o processo que levou nove meses para se cumprir…

Grande abraço e obrigada

Maryana

A NATUREZA é sempre nova de tão antiga, mas falta-lhe patrocínio; então, só a mulher ‘peitando’, mas nem sempre consequindo…

Seu caso, mesmo, não é o habitual, pois logo surgem os mensageiros da agonia, tentando fazê-la desistir e duvidar de si mesma

muito obrigada pelo eloquente depoimento

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: