Aula de redação

Pediatria radical, “ela é capaz de amamentar”

Posted on: julho 7, 2008

Esta é a última parte da entrevista que fiz com a Dra. Relva. Tomara possa entrevistá-la outra vez.

http://www.profissionaldasaude.com/guia/medico/thelma-b-oliveira-54/view-details.html

Obrigada, Dra. Relva, por ter-me respondido. Umas músicas para você

http://youtube.com/watch?v=taMRQmlNacI&feature=related

http://youtube.com/watch?v=gnYRHmLHHVQ&feature=related

“Ela é capaz amamentar e seu filho não é um doente em potencial” Dra. Relva

Dra.Relva

– O que sente quando ajuda um bebê a nascer? Sempre é alegria?

– Sim, o mundo sempre recomeça nessa hora, para repetir Guimarães Rosa. A alegria é variável, conforme o sexo esperado e também conforme a posição que essa criança ocupará no quadro familiar. O primeiro filho é aguardado, com mais ansiedade pelas mães de “primeira viagem”. Mas um nascimento é sempre uma alegria.

– Amamentar é sempre saudável. Mas há mulheres que sentem angústia quando amamentam. Pode dizer alguma coisa a elas?

– O leite materno é comprovadamente mais saudável para o bebê, quem diz isso são as sociedades de pediatria do mundo inteiro e a organização mundial de saúde. Se a maioria das crianças fosse amamentada, os pronto-socorros não viveriam cheios. Mas, se o leite demora a descer, o pessoal dá mamadeira, dificultando a lactação. Se as mamas ingurgitam, há dor. Enfim, não é fácil, a mãe que optar pela amamentação precisa de apoio, incentivo, para ter certeza de que está fazendo o melhor. As que não amamentam – quase sempre – são as desencorajadas pelo meio. Cabe a quem cuida da gestante ir incentivando-a a aleitar, contra tudo e todos. Até contra si mesma! Nesse aspecto, o maior incentivo atualmente vem de grupos virtuais de amamentação e outras ‘amigas do peito’.

pierre-auguste_renoir

– Algumas mulheres são felizes durante a gravidez. O que você diria para aquelas que sofrem – física e psicologicamente – durante o período?

Não se nasce mãe, torna-se mãe. Não basta ir caminhando e cantando, tem que aceitar o filho internamente e botar mãos à obra (com duplo sentido, hehe). Varia muito com etapa de vida, condições financeiras, apoio emocional do companheiro e da família e também do projeto de vida da mãe. As que sofrem depressão pós-parto precisam de tratamento médico e psicológico. As que estão exauridas precisam de ajuda de parentes e amigas de boa vontade.

– O que você acha de mulheres de quarenta anos terem filhos? E mais: meninas de 13 anos podem lidar bem com a gravidez e também com o bebê?

menina índia dos Andes

– Podem sim, e muito bem, pois é das últimas chances, então elas ‘capricham’. Já uma menina, também pode, desde que tenha apoio. Mas pela própria natureza de ainda estar em crescimento, seria muito mais prudente que estivesse tomando precaução pra não engravidar, isso é mais importante que abortar um filho indesejado, se for o caso. Dificilmente um companheiro dessa idade encara a gravidez da menina. Afinal, a jovem precisa viver sua juventude antes de dar à luz outra vida.

– Aconselha o parto em casa? É arriscado?


– Este ano acompanhei dois PD. Como disse acima, a maioria das gravidezes são normais e prontas a terminarem em parto normal. Precisa de um bom pré-natal e de ambiente preparado e muita vontade da mãe ou do casal. Não é uma aventura inconseqüente, é o método pelo qual a humanidade nasceu ao longo da história, até o predomínio da tekné.

– Quando é que a mulher grávida se torna insuportável para uma obstetra? Como é uma grávida problemática? Se é que isso acontece.Toda gravidez pode ser feliz?

Qualquer grávida que reclame é considerada indesejável. Toda gravidez é fadada a um final feliz, sim. No mais, prefiro não comentar, rs.

– Qual é a sua utopia? Quero dizer: como seria a sociedade que compreendesse e ajudasse as mães, sem cobrar delas perfeição? Que sociedade poderia diminuir seu fardo? Sim, porque não se pode negar que dar à luz e cuidar de filhos é fardo, ainda que prazeroso para muitas.

– Uma sociedade realmente solidária, com amigas que visitassem a mãe nos primeiros dias para ajudá-la de fato, de modo que ela pudesse amamentar e repousar. E que na vida diária, fosse comum o transporte solidário, as compras solidárias e a amizade efetiva entre mães e mulheres em geral, para aliviar o fardo real do cansaço e da solidão. Acho que nossa comunidade é um grande começo dessa solidariedade.

– O que acha importante desmistificar para as mulheres que vão ter filhos?

Que ela é capaz amamentar e que seu filho não é um doente em potencial…

http://orelhaempe.blogspot.com/2007_11_01_archive.html

3 Respostas to "Pediatria radical, “ela é capaz de amamentar”"

Adorei a entrevista com a Dra!
amo essa mulher e espero que essa entrevista quebre barreiras e paradgimas!
Parabéns Dra!

Ilustre Profª, saudades de nossas conversas; relendo esta entrevista, tenho que assinalar que o comentário sobre ‘meninas grávidas’ que raramente escolhem ficar grávida; na realidade, são gestações forçadas por estupro, tema de enorme gravidade ainda não suficientemente discutido e acolhido por nossa sociedade. Até breve, Profª

Ilustre Profª, saudades de nossas conversas; relendo esta entrevista, tenho que assinalar que o comentário sobre ‘meninas grávidas’ ficou muito raso; são meninas que, raramente, escolhem engravidar; na realidade, são gestações forçadas por estupro, tema de enorme gravidade ainda não suficientemente discutido e acolhido por nossa sociedade. Até breve, Profª!

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