Aula de redação

Augusto Portugal: o jovem e a escolha

Posted on: julho 10, 2008

Augusto Portugal

Augusto Portugal, o amigo da adolescência. Ficamos temporadas enormes sem nos ver. Mas a amizade permaneceu, inclusive, pelo fato de termos sonhado parecido nos libertários anos 70. Ele, no entanto, foi mais batalhador. Justo por isso, sou orgulhosa da nossa amizade! Faço questão de mantê-la por causa dum fato: sou egoísta e interessa-me conservar por perto pessoas otimistas. Pois, por mais que venha o sofrimento , Augusto sempre surge com um girassol no cabelo.

Esta conversa, de 2004, é para os jovens. Espero que goste.

Música em homenagem ao meu amigo

http://www.youtube.com/watch?v=ImQhuCJaNpI&feature=related

“Será que posso afirmar que a juventude de agora é alienada de si mesma? Será que ela está vivendo num mundo mítico e não está sofrendo o problema do desemprego, da violência, da superexposição à midia?” Frase do Augusto

Augusto Portugal, sociólogo e especialista em pesquisa de mercado, marketing de serviços e marketing político.

– Sou consultor em pesquisa de mercado, opinião em mídia e pesquisa social. Já trabalhei na administração pública, em agência de propaganda, jornais de grande circulação, sempre com esta perspectiva profissional: conhecer, ouvir, pesquisar os desejos, as necessidades das pessoas, em torno dos projetos em que as empresas – para as quais eu trabalhava – atuavam.

Rose – O vestibulando que está lendo você gostaria conhecer mais conteúdos que pudessem ajudá-lo a refletir melhor na redação do vestibular. Avisei que você viria.
Contei-lhes que você tem experiência em muitas áreas de trabalho. É arrojado, enfrenta desafios, não tem receio de mudar do setor x para o y. Quero saber se, no tempo do vestibular, você viveu algum conflito, ou se sabia exato que carreira seguir.
Meus alunos me parecem resolvidos quanto à carreira.. A maioria vai fazer Medicina. Alguns, Direito; outros, Administração. No começo do ano, sofri com a indecisão de alguns. Pareciam perdidos. Neste fim de ano, sinto que estão seguros, ainda bem, porque, sem uma decisão firme, fica difícil encarar a competição que, infelizmente, é o vestibular.

Augusto- Tive que encarar esta situação em dois momentos da vida. A primeira, aos 18 anos e a segunda, com 30 e poucos. Aos 18, claro que vivi um grande conflito na hora de optar por uma profissão. Mas acho que há dois aspectos a serem analisados para responder melhor à questão. Primeiro, é o ato de escolher uma profissão aos 17 anos. Tenho dúvidas de que essa escolha de hoje seja muito diferente daquela de 30 anos atrás. É claro que é muito importante inteirar-se sobre quais as profissões mais requisitadas nos dias de hoje. Mas, regra geral, temos um perfil de preferências que, no fundamental, não se alterou: a preferência pelas chamadas profissões imperiais, que vêm do tempo do Império e que parecem, ainda, ser as mais sólidas: Engenharia, Medicina e Direito. Esse perfil continua a canalizar o desejo e as disposições do jovem que procura se profissionalizar, através de um curso universitário. Por quê? Porque essas carreiras possibilitam visibilidade, definição, seu mercado de trabalho é mais estruturado, o que não impede afirmar que a diversificação da economia e da sociedade tenha trazido outras opções profissionais, algumas de ponta, como por exemplo, a nanotecnologia, a informática, isto é, profissões que já estão mais desenvolvidas, em várias áreas tecno-científicas tanto na área de comunicação quanto na de humanas.

Mas é preciso reconhecer este perfil que, no fundamental, ainda não se alterou, tanto quanto a sociedade que, apesar de todo o processo de mudanças em curso,ainda continua valorizando os cursos de Direito, Engenharia e Medicina. Porém, há uma diversificação que é própria da evolução da sociedade e que se apresenta, por exemplo, em Humanas, na Geografia, História e, em outras áreas, que continuam tão marginais quanto eram no meu tempo, apesar de estarem, gradativamente, ocupando espaços de intervenção profissional cada vez maiores.

E quer saber? Apesar de mais opções e informações sobre as profissões, acho que é tão dramático definir uma profissão, um rumo de vida, aos 17, 18 anos, hoje como há trinta anos. Com esta idade, jovens têm pouca maturidade e experiência para definir aquilo eles vão ser o resto da sua vida! Claro que há exceções! Há jovens que têm uma opção profissional mais sólida, geralmente, por influência familiar e por vocação, . Meu irmão fez engenharia. Sua vocação se definiu desde a mais tenra idade, mas creio que a regra geral é fazer uma opção meio forçada. Quando fiz minha segunda opção profissional, em torno de meus trinta e poucos anos, aí não tive dúvidas. Queria ser sociólogo e trabalhar com pesquisa de mercado, publicidade e marketing. Já trabalhava com isso e, junto com a graduação em Sociologia e Política fiz vários cursos em Marketing e Pesquisa.

Por isto, é preciso que os cursos universitários sejam modificados para abrigar essas incertezas e indefinições próprias da idade e a imensa sede de conhecimento que temos nessa fase da vida. As escolas precisam oferecer opções de escolhas de cursos que contenham curriculos básicos. Mas desde o ensino médio é preciso mais possibilidades para a juventude analisar a si mesma e fazer uma opção para um curso superior mais refletida. Claro que isso facilitaria a sua inserção no mercado de trabalho Sonho com uma reforma na universidade que permita ao jovem entrar nela sem precisar ter uma definição prévia e exata da carreira; que ele inicie um curso numa determinada área, mas que possa alterar esse rumo, quando estiver um pouco mais seguro do que quer, sem perder créditos, qualificando-se, mesmo com este curso básico, para o mercado de trabalho.

R – Essa imaturidade dos 17 anos está ligada ao jovem da região urbana. Você não acha que o tempo da adolescência vem sendo prolongado? No tempo do meu avô , anos 1930, passava-se da infância à adultez, das calças curtas ao terno e ao enfrentameno da vida. Uma pessoa é necessariamente imatura aos 17 anos, Augusto?

A – Penso que nesta idade, há uma imaturidade natural, compreensível, que dificulta a definição de uma profissão, ainda mais com a experiência de vida contemporânea de jovens, que, na maioria, vivem em sociedades urbanas, com suas características midiáticas e tecnológicas, divididas em relação à apropriação das riquezas, com muitos desníveis sociais. Se você acha que há cem anos as pessoas amadureciam mais cedo, há que se pensar nos aspectos econômicos e culturais daquele tempo. Hoje, há quem fale numa infantilização crescente dos adultos, numa juvenizalização que se estende além do que seria aceitável anos atrás.

R – Dizem que o jovem de hoje é alienado, na medida que não participa tanto da vida política do país. O que acha?

A – A gente tende a mitificar o jovem da nossa época de adolescente, achando-o menos alienado. Acho bastante relativo isso, a gente desqualifica o jovem atual. Não acha, Rose?

R – Falando do jovem de classe média, vejo que eles não têm muito tempo de fazer o que muitos de nós fazíamos, Augusto, ou seja, abandonar faculdades, dar um tempo, viajando pelo mundo. Eles têm pressa e consciência de que precisam passar no vestibular e ingressar logo no mercado de trabalho. Muitos de nós sonhamos muito, teremos sido alienados, mas o que é ser alienado? Fico me perguntando isso até hoje…

Tenho uma aluna, muito querida, a Flávia. Uma vez ela reclamou que gostaria de ter a sensibilidade das pessoas da minha geração, porque, com a vida apressada que leva, não tem tempo nem de olhar os pedintes na rua. Queixou-se de que se acostumou à paisagem urbana, que já viu acidente com feridos e, como não podia fazer nada, resignou-se. A Flávia construiu a imagem de que nossa geração era mais sensível e atuante. Estabeleça um confronto entre as duas gerações de jovens.

Meu irmão Ricardo

A – Não vamos lidar com categorias tão absolutas como o jovem, ou a juventude atual. De que juventude estamos falando: a da classe média? A da zona sul de São Paulo? A dos trabalhadores rurais, do interior do Estado, às voltas com a agricultura mecanizada? São os jovens que trabalham na agricultura familiar? Os trabalhadores da área de serviços, na indústria de ponta ou fazendo atendimento em telemarketing? Os jovens que correm riscos na periferia?

Quais são os jovens? É complicado falar de uma maneira tão absoluta numa única juventude, com suas disposições, valores, impetuosa ou apática, consciente ou alienada…. É preciso relativizar isso. Há estudos sobre a juventude, eu me lembro de pelo menos dois. Uma pesquisa feita pela Folha de São Paulo com os jovens da cidade e outra do Instituto da Cidadania. Elas permitem conclusões mais fundamentadas. Mas a mitificaçao é um traço de várias gerações, a ponto de jovens atuais mitificarem a nossa geração como paradigma da liberdade e da atuação política. Vamos pegar a palavra alienado cujo radical alien significa estrangeiro, ou seja, alguém que é estrangeiro a si mesmo. Será que posso afirmar que a juventude de agora é alienada de si mesma? Será que ela está vivendo num mundo mítico e não está sofrendo o problema do desemprego, da violência, da superexposição à midia? Será que a juventude atual não está brigando para mudar o mundo, ao seu modo e com a sua maneira de ver a vida e expressar-se ?

Você os acha alienados, estrangeiros de si mesmos? Será que não estamos reproduzindo uma visão simplificada da alienação? É preciso relativizar esse tipo de coisa para a melhor compreensão dos fenômenos tais como a participação ou não da juventude na política. E procurar ter vários olhares para o fenômeno, com as contribuições das várias ciências, da sociologia, da antropologia; mas também da literatura e até da medicina. Até pra dizer se o jovem atual é fisicamente diferente do jovem de 100 anos atrás. Daí se pode falar, com mais segurança, sobre o grau de alienação da juventude, seja da classe média que não precisa trabalhar e pode só estudar, seja da juventude trabalhadora e pobre que mal consegue terminar a escola pública, seja dos jovens que trabalham no campo ou moram em pequenas cidades, sem perspectivas em suas regiões.

Eu, Rose, nos anos 70

continua >>

R – Você é a favor da diminuição da carga horária de trabalho?

A – Li O Ócio Criativo de Domenico de Mazzi e muito antes O Direito à preguiça de Paul Lafargue. Este último mostrava a importância de viabilizar uma situação social em que as pessoas tivessem mais condições de experimentarem todas as suas potencialidades e não apenas se dedicarem totalmente ao trabalho. Hoje, hipoteticamente, há mais condições para existir mais gente trabalhando menos horas. Essa é uma luta que está nas pautas sindicais, ela trata da diminuição da jornada de trabalho; mas há setores empresarias que acham que esse tipo de solução não agrega trabalho, diminuindo o número de empregos para mais pessoas. Essa é uma bandeira histórica dos movimentos sindicais e sociais. Com o desenvolvimento da tecnologia, seria possível pensar em quem trabalha, e até, em trabalhar menos, sem diminuir os rendimentos, aumentando as oportunidades de trabalho para mais gente; aumentando o consumo, a renda e a riqueza, gerando assim, um circulo virtuoso.

R – Fico pensando que emprego é emprego e trabalho é outra coisa. Tudo ainda está por ser feito. Há muitas áreas carentes da presença do trabalho humano. Não entendo de sociologia, mas arrisco a afirmar que existe muito mato pra ser cortado. Isso é uma metáfora, tá? Há como a sociedade civil criar nichos dentro dela pra abrigar gente que está sem trabalhar?

A – É fundamental que se lute sempre pela geração de emprego, trabalho e renda, combinando oportunidades para que as pessoas, empregadas ou autônomas, tenham renda e direitos assegurados. Sem isso, há a precarização das relações sociais, o aumento da violência. O Brasil continuará sendo o paladino da má distribuição de renda.

R – Allan Chesnais, Professor Emérito da Universidade Paris XIII, (…) propõe que o Brasil rompa com o FMI e crie sua autonomia. É otimista: O Brasil é um país que conheceu um desenvolvimento industrial, que tem uma classe média educada e é um país bem pouco dependente de importações. O número de produtos que não podem ser produzidos aqui é muito pequeno. Logo, para um país como o Brasil não há nenhum risco de afundamento econômico. O capital que veio para o Brasil aos longo desses 10 anos foi, sobretudo, um capital que veio comprar empresas. (Folha de S.Paulo, 31 de maio de 2004)

A – O Chesnais fala da situação brasileira, sob um ponto de vista que analisa a sociedade à luz de um programa, de uma perspectiva histórica, de uma transformação para que o país possa chegar ao bem-estar social, à distribuição de renda etc. Ele afirma que, se mantida a verdadeira sangria que é o relacionamento submisso do país com a economia internacional, não é possível chegar a bom termo. É verdade, não háverá desenvolvimento tecnológico e social, se o Brasil se mantiver dependente. Assim, romper com essa relação é fundamental para o país. Mas isso só se obtém com algum tipo de ruptura forte, radical, para a qual se exigem condições sociais e políticas frutos da mobilizzação e vontade da imensa maioria da população. É de se perguntar se estamos vivendo essas condições favoráveis nesse momento. Só se faz um rompimento consequente e eficaz com vontade e força política politica. Essa não tem sido vista hoje no Brasil.

R – E o Estado mais forte?

A- Não diria Estado forte, fraco, mínimo, máximo. O fundamental é que a apropriação dos impostos q ue o Estado faz seja revertida em saúde, educação e desenvolvimento social. A precarização das relações em que o Estado passa a ter menos força e capacidade de intervenção, favorece uma situação social em que vence o mais forte. Para garantir equidade, é preciso um setor público forte, sem que o Estado precise ter fábrica de sutiam, carro, como já foi comum no Brasil, na época do governo militar.

É importante um Estado que garanta os direitos públicos como contrapartida da massa de impostos arrecadada dos cidadãos. Não acredito em Estado neutro, já que ele se origina de relações sociais determinadas, claro, está sempre a serviço desses ou daqueles interesses, mas o fundamental é lutar para que sejam garantidos determinados direitos para a maioria da população.

R – Vou mudar o assunto. Leonardo da Vinci construiu uma alegoria sobre a liberdade, parafraseada depois por Autran Dourado. Recortei do caderno Mais da Folha. A moral da história: Melhor morrer a ficar preso.
Meus alunos escreveram sobre o teml. A Lyvia surpreendeu-me, afirmando que, se tiver um filho e precisar incentivá-lo a lutar pela liberdade, não hesitará. Forte a postura dela! Mesmo que tenha de perdê-lo para a morte! É preferível morrer a perder a liberdade?

A – Esse é um tema complexo, com profundidade filosófica. Vou citar uma frase, quem sabe eu possa ajudar a Lyvia a refletir mais. Engels dizia que a liberdade é a consciência da necessidade. Essa pode ser uma referência para saber de que liberdade estamos falando: a liberdade de explorar o trabalho alheio?; a liberdade de depredar a natureza?; a liberdade de sair de casa e não voltar mais? O que que é a liberdade? É claro que, numa sociedade na qual as relações se guiam, cada vez mais, pelo dinheiro, é difícil falar de liberdade de maneira absoluta: são mais livres, em termos, aqueles que têm mais dinheiro e, menos livres, os submetidos a todos os condicionantes do poder do dinheiro ,seja sob o ponto de vista dos valores, necessidades ou anseios. O que é ser livre? Se parto da idéia de que é a consciência da necessidade, o importante é identificar quais são as necessidades pessoais e coletivas, num determinado tempo histórico que a gente vive, pra saber que liberdade se pretende para poder lutar por ela.

R – Houve um aluno que disse que liberdade é poder se suicidar, caso não dê pra aguentar o sofrimento que a vida pode, eventualmente, trazer. Outro contestou-o, afirmando que até o suicídio pode estar programado no código genético. Estes meus alunos são questionadores! Como não entendo de biologia, calei a boca. Vamos para outra questão? Se o seu filho, lá pelos 20 anos, desejar sair do Brasil e morar noutro país, você deixa? Fica feliz?

Desenhos Rose ( fiz este, pensando nos anos 70)

A – O que está programado no código genético é a morte, não o suicídio. Mas, falando dos filhos: é impossível raciocinar sobre o futuro dos filhos, de forma lógica, sem valor afetivo. É claro que vou querer meus filhos junto de mim, batalhando junto, até porque a unidade da família, quer dizer, pais e filhos, lutando juntos, em tempos cada vez mais difíceis, é fundamental. É uma meta a ser conseguida para aqueles que apostam nas relações afetivas. Mas pondero que, por causa das diferenças de gerações, o conflito é necessário e inevitávell. Meu lado de pai vai querer os filhos perto de mim. Mas jamais vou condicionar os vôos de meus filhos, vou orientá-los para seguirem o próprio caminho. Em especial, se eu perceber que a decisão é madura e responsável.

Mas penso que vou ajudá-los em suas decisões envolvendo profissão, se continuar a tentar compreender as transformações nesse mercado de trabalho, que é algo que envolve o presente e o futuro e a maioria de nós, estejamos com 18, 30, 40 ou 60 anos. É uma reflexão a ser feita permanentemente. O que é o mercado de trabalho hoje e quais são as profissões do futuro? O jovem precisa conhecer o mercado de trabalho, não só na perspectiva ideal, mas sob o prisma de suas vocações, do significado social da sua profissão, pensar naquilo que ele vai saber fazer melhor, no que terá mais prazer, mesmo que não seja monetariamente rendável. Que busque uma profissão que lhe garanta sobrevivência, mas que lhe traga prazer criativo, que possa sempre estudar e se aperfeiçoar, de olho no mercado, mas não só nele. É preciso analisar o mercado de trabalho, sob o ponto de vista da transformação tecnológica, por que passam vários setores, como por exemplo, o setor de serviços ( o terciário) que assumiu a predominância; conhecer o significado do trabalho industrial e saber quais são as transformações no setor agrícola, tudo no sentido de entender a dinâmica da sociedade mas também, de incorporar tudo à perspectiva pessoal.

– Gostaram da entrevista? Eu sabia!

Um texto do Augusto

http://www.sitiopolemico.com/?p=30

http://www.peabirus.com.br/redes/form/perfil?id=1586

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