Aula de redação

PIRATARIA INDUSTRIAL

Posted on: julho 28, 2008

Escreva uma dissertação, depois de ler os textos. Delimite bem o tema e a tese, claro

“Rolou no Congresso um projeto de boas intenções, mas de
difícil execução. Pretende combater a pirataria de discos, quadros, cds,
livros e outras expressões de autoria intelectual e artística.

Não posso dar nenhum testemunho sobre quadros, discos, cds. Não é praia
minha. Mas tenho mais de 40 anos de vivência profissional com os livros,
trabalhei e ainda trabalho com diversas editoras e, honestamente, não faço
parte dos que reclamam habitualmente da exploração e da truculência dos
editores.

Pela experiência própria e pelo conhecimento que acumulei na lide literária,
não conheço casos dramáticos de roubo ou de má-fé. O editor que rouba o
autor está roubando a si mesmo -o que não faz sentido. Ou o livro encalha e
rende pouco para autor ou editor, ou vende muito e aí os dois lavam a égua.

O que há -e falo somente em relação ao livro, mercadoria da qual também
vivo- é uma superavaliação do autor sobre a vendagem de sua obra. É possível
que em alguns casos ocorram erros de contabilidade, mas os contratos
assinados entre editora e autor garantem uma auditoria. São exceções,
geralmente involuntárias, causadas pela deficiência operacional de editoras
não de todo profissionalizadas.

Respeito a mágoa de autores que, após o lançamento de sua obra, reclamam da
distribuição e da exposição dos livros, culpando as editoras pelo descaso
com que são tratados.

A má distribuição e nenhuma exposição dos livros afeta profundamente a venda
do produto, mas os editores, por mais que lutem pelo melhor e maior espaço
nas livrarias, não têm ingerência nessa fase da comercialização.

No início de minha carreira, na Civilização Brasileira, todos os meus livros
eram numerados. Agora não. Mas, sinceramente, nunca me senti roubado. O que
é do homem o bicho não come. ”

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Comentei ontem a pirataria industrial no mercado da
produção artística e cultural. Falei basicamente sobre o livro, que é meu
ofício há mais de 40 anos, discordando do recente projeto aprovado no
Congresso e que está dependendo apenas da sanção presidencial.

É evidente que é necessária uma providência para acabar com a pirataria,
sobretudo nos discos, CDs, vídeos. Até mesmo no caso de alguns livros que
podem ser pirateados, embora seja impossível fazer os autores assinarem cada
exemplar e a simples numeração não resolva o problema.

Há que ser criada uma comissão abrangente, com artistas, produtores,
editores, livreiros, gravadoras e autores para debaterem o assunto. Do jeito
que está, o projeto é falho, até mesmo absurdo. Tornará mais complexa e
problemática toda a produção artística e cultural do Brasil.

Repito que falo apenas sobre o produto livro. Mas, no caso dos discos, fitas
e vídeos, a pirataria é mais fácil e lucrativa, em detrimento dos autores e
intérpretes. Basta dar um exemplo: Moreira da Silva, aos 90 anos, era
obrigado a dar shows para conseguir o pão que sua vasta discografia e
videografia não conseguiam garantir.

O projeto existente, apesar de sua boa intenção, pecou gravemente porque não
resultou de um trabalho de equipe em que estivessem envolvidos todos os
interessados. Pareceu fácil tornar obrigatórias a numeração e a assinatura
dos autores e intérpretes, sem atentar para o custo adicional da produção e
a dificuldade material de realizá-la.

A tecnologia, que mandou o homem à Lua e criou celulares e robôs, mais cedo
ou mais tarde descobrirá um sistema de segurança capaz de impedir a
pirataria, mas não de forma artesanal e onerosa como a que foi proposta. (Carlos Heitor Cony)

http://www.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0207200206.htm

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“Os países do G8 (sete países ricos do mundo, mais a Rússia) desejam chegar a um acordo de cooperação com cinco nações emergentes –China, Índia, Brasil, México e África do Sul–, com o objetivo de combater a pirataria industrial e proteger a propriedade intelectual.

“Faremos um esforço para conseguir, em nível mundial, um contexto econômico e político que fomente e proteja as inovações”, explica o documento “Crescimento e responsabilidade na economia mundial”, aprovado hoje na cúpula de chefes de Estado e de governo do G8 no balneário de Heiligendamm, no norte da Alemanha.

A declaração ressalta que são necessárias medidas concretas urgentes para fazer frente à pirataria industrial, e que é necessário reduzir a demanda por produtos falsificados.

O tema será abordado durante a reunião dos líderes do G8 –EUA, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Japão e Rússia– com os presidentes e primeiros-ministros do grupo dos cinco emergentes na sexta-feira.

“Mais do que nunca, a ciência, a pesquisa e as inovações formam a base da prosperidade econômica das nações”, afirma o documento, criticando a pirataria industrial, embora não cite, nominalmente, nenhuma nação.

No entanto, é fato conhecido que a China, cujo presidente estará amanhã em Heiligendamm, e um grande número de países da Ásia têm indústrias que falsificam produtos em massa.

As falsificações causam prejuízos à indústria, em nível mundial, de mais de 120 bilhões de euros ao ano (cerca de US$ 162 bilhões).

É por isso que o bloco deseja que a proteção da propriedade intelectual se transforme em um dos eixos do chamado “Processo de Heiligendamm” pelo qual, a partir de sexta-feira, será institucionalizado o diálogo entre o G8 e os cinco países emergentes.

Para fazer frente à pirataria industrial, os países do G8 têm intenção de estreitar a cooperação de suas autoridades alfandegárias, coordenar a luta contra os produtores e distribuidores de produtos falsificados e desenvolver um novo sistema de troca de informação.”

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u302710.shtml

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A AmBev recentemente colocou em prática um plano de globalização do guaraná Antarctica. O projeto prevê que, em breve, a empresa passe a faturar 700 milhões de dólares vendendo a bebida brasileira em diversos países. Em conseqüência desse plano, cresceu a importância estratégica de um dos funcionários da companhia, o químico Orlando de Araújo. Esse discretíssimo senhor grisalho de 74 anos trabalha na empresa desde o início da década de 50 e carrega consigo o mais valioso segredo industrial da AmBev: a fórmula do guaraná Antarctica. A composição química do refrigerante foi criada nos anos 20, por uma equipe da área industrial. Desde então, foi passando de mãos em mãos, até chegar a Araújo, membro dessa espécie de cadeia de confiança. Ao químico coube também a responsabilidade de escolher nos corredores da empresa um sucessor, que deverá manter o segredo vivo nas próximas décadas. Acabou elegendo para a importante tarefa um ex-assistente. O assunto é tratado com tanto zelo que os diretores só se referem a esse outro funcionário como “O Elemento”. “Profissionais assim exercem um papel-chave, equivalente ao dos mais graduados diretores da corporação”, compara José Luiz Saicali, um dos sócios da consultoria KPMG, uma das maiores do país. “Sem eles, a companhia não sobrevive.”

Antonio Milena

O químico Araújo: só ele e outra pessoa conhecem a receita do guaraná da AmBev


A alta tecnologia disponível nos dias de hoje fornece ferramentas para os hackers invadirem os códigos de segurança do Pentágono e torna possível aos piratas roubar e copiar os mais variados tipos de fórmulas de produtos. Por isso, é quase inacreditável existir ainda uma área em que um segredo industrial resista tanto tempo à bisbilhotice alheia. Mas a lista de produtos que preservam o segredo de seu aroma, sabor e composição é considerável. O estrelado perfume Chanel nº 5, por exemplo, nunca foi copiado porque tem como um dos elementos-chave de sua fórmula uma substância extraída dos testículos de uma espécie rara de gatos indianos. Outro caso de sucesso, tanto de vendas como de preservação do sigilo de sua receita, é o champanhe Krug. Todos conhecem os três tipos de uva usados em sua composição. Mas só o produtor sabe a quantidade de cada uma, o processo de fermentação e o tempo de envelhecimento da bebida. Trata-se de um segredo mantido intacto há um século e meio.

O sonho da AmBev é que, um dia, a fórmula de seu guaraná seja tão badalada quanto a da Coca-Cola. O químico Araújo e “O Elemento” são as únicas pessoas que conseguem entrar no cofre da AmBev, olhar a pasta em que está a fórmula do guaraná e codificar as cerca de oitenta substâncias aromáticas que são misturadas em quantidades específicas à fruta extraída na Amazônia. Um erro qualquer na mistura é o suficiente para transformar o guaraná em tubaína. A dupla de químicos recebe um salário estimado pelo mercado em cerca de 20 000 reais, próximo ao dos diretores da companhia. São proibidos de viajar juntos no mesmo avião, pois a empresa não quer correr riscos.

Silvio Porto

Teste de carro da Fiat: camuflagem para preservar o impacto do lançamento


Segredos assim fazem parte da rotina da indústria de bebidas, cosméticos e alimentos, setores que vivem do sabor e do aroma. Fórmulas de produtos, como o Nescafé e o sorvete Häagen-Dazs, fazem parte dessa relação de mistérios impenetráveis. Os químicos que lidam com essas complexas linhas de produção precisam ser treinados durante anos para dominar as poções que são a alma do sucesso de uma série de marcas famosas. A maioria das pessoas só consegue distinguir com exatidão algumas dezenas de cheiros. Os degustadores profissionais têm faro para identificar e reconhecer diferenças mínimas de mais de 3.000 tipos de sabores. A Coca-Cola mantém equipes de degustadores que retiram de quinze em quinze minutos garrafas de refrigerante da linha de produção para beber um gole e checar se o sabor está de acordo com as especificações da bebida. Durante mais de um século, várias pessoas chegaram a anunciar a descoberta da fórmula da Coca-Coca. Mas, até hoje, ninguém conseguiu comprovar isso ou produzir nada parecido. A Pepsi que o diga. É fabuloso imaginar que os cientistas conseguiram desvendar a seqüência genética do ser humano e tiveram talento para fabricar o clone de um animal, mas ninguém desvenda o segredo da composição de um sorvete ou de um refrigerante.

Frederic Jean

Fábrica de softwares: empresas como a Microsoft vigiam os piratas


Quando o assunto é sigilo e segredo industrial, o mundo empresarial pode ser dividido em dois grandes grupos. Há aquele time formado por empresas que dependem da tecnologia e dos avanços nos processos de produção. São companhias dos ramos automobilístico, eletroeletrônico e até mesmo do setor financeiro. Essas corporações guardam seus segredos a sete chaves, mas não possuem fórmulas velhas a ser decifradas. O segredo que guardam está ligado a algum projeto novo que ainda vai ser lançado. Se a concorrência conseguir obter informações relacionadas ao tal produto, pode eventualmente lançá-lo com antecedência. Num mercado altamente competitivo, quem chega antes fatura com a novidade. Quando a concorrência reage, em geral ganha espaço quem oferece o menor preço. A confidencialidade está centrada nos processos de produção, nas estratégias de marketing e no desenvolvimento de designs inovadores. Como tudo pode ser copiado nesses setores, o importante é se antecipar às tendências e lançar primeiro alguma novidade. “Os pioneiros dominam o mercado sozinhos por um bom tempo e enriquecem”, explica o consultor José Luiz Saicali.

É diferente com o outro grupo de empresas, o que detém as fórmulas ancestrais mantidas secretas há cinqüenta, 100 ou mais anos. Essas companhias não têm o grosso de seu faturamento lastreado em novos lançamentos. Sua fonte principal de receita são os produtos tradicionais. Por essa razão, se seus segredos forem desvendados, o que será de sua receita, de seu lucro e, quem sabe, da própria companhia? Se alguém descobre como será o novo carro de uma montadora, pode até arrasar a firma por alguns meses. Mas o que será da Coca-Cola se sua fórmula for realmente desvendada?

Com o crescimento da importância da informação na economia globalizada, os cuidados das empresas em manter seus segredos são cada vez maiores. A Microsoft, por exemplo, além de ter o próprio departamento jurídico para cuidar de casos de cópias ilegais, é filiada a duas instituições, uma nacional e outra internacional, que se dedicam a combater a pirataria. O mercado de segurança da informação, que praticamente inexistia no Brasil há algumas décadas, hoje movimenta 200 milhões de dólares por ano. Há inclusive novos termos para designar velhas práticas. O que era conhecido como espionagem hoje se chama engenharia social. O objetivo continua o mesmo. Conseguir dados e histórias importantes, partes de segredos ou segredos inteiros de uma determinada companhia. O alvo principal da engenharia social também continua o mesmo: o funcionário da empresa. Pesquisas americanas demonstram que 80% dos casos de vazamento de informações sigilosas de companhias partem dos funcionários. “As empresas estão lidando constantemente com o risco”, diz o especialista Wilson Gellacic, da Ernst & Young Auditores. “E o maior deles é a pessoa que elas contratam.”

http://veja.abril.com.br/201200/p_072.html

……………………………………………………………………………………..Outro

ESTADÃO: BOBAGENS DE PEDRO DÓRIA SOBRE A PIRATARIA ou O “SOFISMA DA CLASSE-MÉDIA”

26/12/2007

ESTADÃO: BOBAGENS DE PEDRO DÓRIA SOBRE A PIRATARIA ou O “SOFISMA DA CLASSE-MÉDIA”

O articulista em epígrafe escreve no caderno Link, do ESP, além de manter um blog. Já o usei como referência, por exemplo, naquele caso do Lee Anderson, em que o jornalista norte-americano deu um baile em Diogo Schelp, da Veja.

Mas, agora, peço licença para discordar do que Pedro Dória alega em sua coluna mais recente (a desta segunda). Vamos por tópicos:

Pirataria x Pirataria
Embora não seja advogado, o articulista não teve receio ao lidar com conceitos eminentemente jurídicos. O que se denomina “pirataria” é um gênero do qual fazem parte um sem-número de espécies de infrações.

Para Pedro Dória, o CD pirata vendido pelo camelô pode ser definido como “pirataria”; mas fazer um download ilegal, aí não. É um conceito “pedrodoriano”, não tem qualquer subsídio jurídico, legal ou mesmo doutrinário.

É o que ele acha. E ainda passa um “pito” na indústria fonográfica pelo fato de cometer o imperdoável equívoco de “confundir” as duas condutas. Sério, ele chega a esse ponto.

Vamos lá: comprar CD pirata é ilegal. Fazer download ilegal é… ILEGAL. Nos dois casos, há pirataria. Claro que o pé-rapado que compra um CD de dupla sertaneja por R$ 2 não tem o mesmo poder aquisitivo de, sei lá, um hipotético articulista de jornal que baixa ilegalmente um disco de banda obscura da Inglaterra.

Mas ambos cometem atos ilícitos. Ambos são criminosos. Não há qualquer lógica em se punir um dos casos e aliviar o outro.

Mas Pedro Dória, que se mostra bem pouco apegado à lógica, passa importantes ensinamentos à indústria fonográfica. Por óbvio, são lições equivocadíssimas e até mesmo estapafúrdias. (…)

Continue lendo aqui

http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/2007/12/26/estadao_bobagens_de_pedro_doria_sobre_a__8221/

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