Aula de redação

Interpretação. Cásper Líbero.

Posted on: setembro 5, 2008


“Papagaio! – A tradução ornitológica da nacionalidade
Se os Estados Unidos ostentam a águia como símbolo, a França o galo e o Chile o condor, o Brasil tem o papagaio como tradução ornitológica da nacionalidade.
À diferença desses outros países, o papagaio não figura nos escudos, nos selos, nas medalhas, ou em outros sinais pelos quais o Estado anuncia sua presença. Talvez não o tenham julgado digno de tais honrarias. Ele não é forte como a águia, não tem a autoridade do galo nem voa alto como o condor. Exibe um ar matreiro e carrega uma reputação galhofeira que não o recomendam para o papel de representar oficialmente a pátria. Apesar disso, está presente na história do Brasil em manifestações que vão da
carta de Caminha ao Zé Carioca. “Terra Papagalli” foi um nome que concorreu como o de “Brasil”, e até com certa vantagem, nos anos que se seguiram à Descoberta.
Se tivesse vingado, nosso país seria conhecido hoje por um nome de bicho, como a República dos Camarões, e nós seríamos os “papagaienses”, ou “papagaianos”, o que talvez soasse de mau gosto, mas de modo algum seria despropositado. O papagaio brasileiro se fez presente, ao longo dos séculos, em autores que vão do filósofo inglês John Locke ao romancista francês Gustave Flaubert. Pousou no ombro dos piratas
e virou protagonista de piadas. Em todos esses casos, de uma forma ou de outra, apresentou-se a serviço das cores nacionais, que por acaso (ou não seria por acaso?) são as mesmas de suas penas.
(…)
O papagaio é o Brasil. É folgado e fescenino como os brasileiros. É um bicho que, como os micos e sagüis, distingue-se pela capacidade de imitação. Não é agradável admitir isso, mas os brasileiros somos também imitadores. Ocorre que o papagaio é também inteligente, dotado de atenção e de capacidade de aprender. Ponto para nós. É malandro. O Zé Carioca das revistinhas produzidas no Brasil é “o terror dos credores”, e não é à toa que a palavra papagaio, entre suas muitas acepções, tenha a de nota promissória de valor duvidoso. Ponto contra. É um bicho alegre, de aparência carnavalesca, mas também pode ficar triste ao ponto da depressão. É considerado farrista, mas é fiel ao parceiro ou à parceira. Tem um lado místico, como o qual se aproxima do Brasil devoto dos padres Cíceros e dos Antônios Conselheiros. Com esta síntese, voltemos ao terreno da identidade nacional, para concluir que o papagaio encarna à perfeição, sim, a identidade do brasileiro, mas não uma identidade só. Ele encarna as variadas, as múltiplas identidades do Brasil.”(TOLEDO, Roberto Pompeu de.
Piauí, São Paulo, out. 2006, p.52-4
.)

Da leitura do texto é possível depreender que:
I. A figura do papagaio não aparece em escudos, selos e medalhas brasileiros porque a
ave não é forte como a águia americana nem tem a autoridade do galo francês, por
exemplo.
II. “Terra Papagalli” foi o primeiro nome oficial do Brasil, adotado nos anos que
sucederam o Descobrimento.
III. A natureza astuta e brincalhona do papagaio não o indica para representar o Brasil
nos símbolos oficiais.
IV. Um dos pontos positivos da figura do papagaio como representante do povo
brasileiro é o jeito malandro que ele tem.
V. Micos, sagüis e papagaios são animais cuja característica comum é a capacidade de
imitação.
Estão corretas:
a. I, III e V.
b. III, IV e V.
c. I, II e IV.
d. III e V.
e. Todas as afirmativas.

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