Aula de redação

Uma questão de leitura ( da Cásper Líbero)

Posted on: setembro 5, 2008

Alguém poderia julgar pouco correto eu resenhar um livro do qual também escrevio prefácio. Mas se de uma resenha esperamos que seja objetiva, e não influenciada por interesses pessoais, esta coluna, por definição, é expressão de interesses, curiosidades e preferências pessoais. Ora, se escrevi o prefácio de um livro é porque gostei dele; por isso, falo dele. Trata-se de Elementar, Wittgenstein!, de Renato Giovanolli, que, apesardo título um tanto maroto, é muito sério e rigoroso.
Renato Giovannoli é autor de um dos mais apaixonantes livros “científicos”, A ciência da ficção científica, um sistemático exame das principais idéias “ficcionalmente” científicas que circulam por todos os principais romances de ficção científica (leis da
robótica, natureza dos alienígenas e dos mutantes, hiperespaço e quarta dimensão, viagem no tempo e paradoxos temporais, universos paralelos e assim por diante). Essas idéias mostram uma coerência insuspeita, como se constituíssem um sistema, igual,em homogeneidade e conseqüencialidade, ao da ciência. E isso não é inverossímil: em primeiro lugar, porque os autores lêem uns aos outros, alguns temas migram de história
em história; em segundo lugar, porque os romancistas não desenvolvem suas ficções
em oposição às soluções da ciência, mas, antes, tiram da ciência as conseqüências mais
extremas; e, por fim, porque algumas das idéias ventiladas pela ficção científica (de Júlio
Verne em diante) acabaram se tornando, mais tarde, realidades científicas.
Agora Giovannoli aplica o mesmo critério ao arquipélago da literatura policial e
assume que o método dos detetives da narrativa é afim ao dos filósofos e dos cientistas.
A idéia em si não é nova, mas são novos amplitude e rigor com os quais esse ponto de
partida é desenvolvido, tanto que poderíamos nos perguntar, como no fundo o autor também faz, se esse livro representaria uma filosofia do conto policial ou um manual de filosofia que parte de exemplos de raciocínio tirados do conto policial. Sem saber se devo indicar o livro aos que querem entender o romance policial ou aos que querem entender a filosofia, cautelosamente indico-o a ambos. (Umberto Eco. A ciência dos policiais).

Marque as corretas

Da leitura do texto é possível depreender que:
I. O método que os detetives aplicam nos livros policiais é similar ao de filósofos e
cientistas.
II. Se algumas das idéias veiculadas nos livros de ficção científica acabaram se tornando,
mais tarde, realidades científicas, o mesmo ocorreu com alguns livros policiais, que
influenciaram o desenvolvimento da filosofia.
III. Alguns autores de narrativas policiais são filósofos ou cientistas.
IV. O autor da resenha apresenta o livro Elementar, Wittgenstein! sob dois enfoques:
tanto como uma filosofia do conto policial quanto como um manual de filosofia.
V. Nenhuma obra anterior ao livro Elementar, Wittgenstein! havia tratado da relação
entre os métodos dos detetives dos livros policiais e os de filósofos e cientistas com a
mesma amplitude e o mesmo rigor usados por Renato Giovanolli.

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