Aula de redação

Tecnologia e defesa ( texto importante!)

Posted on: setembro 20, 2008

TENDÊNCIAS/DEBATES ( este texto saiu truncado na metade. Melhor olhar o texto direto no link que coloquei abaixo)
Ciência, tecnologia e defesa

JOSÉ VIEGAS FILHO, ROBERTO AMARAL, LUIS
FERNANDES, RONALDO SARDENBERG,
SEBASTIÃO DO REGO BARROS, ALBERTO
MENDES CARDOSO, ERNEY PLESSMANN
CAMARGO e CARLOS HENRIQUE DE BRITO CRUZ

A título pessoal, participamos recentemente de um encontro
promovido pelo Ministério da Defesa para debater o papel da
ciência e da tecnologia na defesa da soberania nacional.
Ao discutirmos o tema, em ambiente de total liberdade e
franqueza, foi gratificante observar que, a despeito da
variedade de nossas trajetórias, partilhamos a mesma opinião
sobre um conjunto de questões que julgamos muito
importantes para a afirmação do Brasil como nação soberana
e para a proteção do seu povo e do seu território.
Antes de mais nada, convergimos na percepção de que a
soberania pressupõe o desenvolvimento econômico e social
e, por isso mesmo, implica atenção prioritária à educação e à
busca do conhecimento.
Pareceu-nos também claro inexistir qualquer possibilidade de
implementação de uma política de proteção e defesa eficaz
sem uma forte base em ciência e tecnologia. A produção e a
difusão do conhecimento constituem, cada vez mais, fonte de
poder e, por conseqüência, fator-chave na hierarquia das
nações. O desenvolvimento internacional da ciência e da
tecnologia cria, ele próprio, novas vulnerabilidades e
ameaças, para as quais um país grande e que tem muito a
proteger, como o Brasil, não pode deixar de estar
adequadamente preparado.
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Nesse contexto, coincidimos em que nenhum país pode
abdicar de esforços nacionais em uma área tão crucial quanto
a da ciência e tecnologia. E a construção de uma base
científico-tecnológica condizente com as nossas aspirações e
possibilidades depende, essencialmente, do que sejamos
capazes de desenvolver “em casa”, sem prejuízo de parcerias
internacionais, mas cientes das restrições existentes para a
transferência internacional de tecnologia.
Uma carência que se torna evidente quando se examinam os
dados sobre as atividades de pesquisa e desenvolvimento no
Brasil é a reduzida participação empresarial naquelas
atividades. Por diversos motivos, o apoio estatal a atividades
de P&D em empresas é necessário e configura prática
comum em países desenvolvidos. É preciso explorar
fórmulas adequadas à nossa realidade para incentivar a
pesquisa empresarial no país.
No plano específico do fortalecimento da base científica
nacional em matéria de defesa e do aproveitamento civil de
materiais de emprego militar, salta aos olhos a importância
dos centros de excelência das Forças Armadas, como o
Instituto Militar de Engenharia e o Instituto Tecnológico da
Aeronáutica. Da mesma forma, sobressai a conveniência de
uma articulação mais estreita entre as vertentes militar e civil
das atividades de pesquisa e desenvolvimento. Os casos de
êxito, como o da Embraer, cuja origem se encontra em
instituições de pesquisa da Aeronáutica, devem incentivar
nosso país na busca de sinergias nesse campo.
Entre os desdobramentos positivos que verificamos no nosso
encontro, inclui-se a continuidade, por sucessivas
administrações do Ministério da Ciência e Tecnologia, de
determinadas diretrizes centrais. Consideramos fundamental,
em particular, a parceria estabelecida entre o MCT, o
Ministério da Defesa e o BNDES para levar adiante
iniciativas de interesse comum.
A disposição ao fortalecimento da indispensável
coordenação entre as áreas de defesa e ciência e tecnologia
ficou também patente na orientação expressa pelo MCT de
adotar, como um dos eixos básicos que norteiam sua atuação,
a colaboração para os objetivos estratégicos nacionais, com
destaque para o programa espacial, o programa nuclear, a
integração da Amazônia e a cooperação internacional. Na
área internacional, entendemos que merecem ser explorados
caminhos de integração da América do Sul em indústria de
A tecnologia e a inovação trazem
embutido o risco de que se amplie o
desequilíbrio de poder entre as
nações
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defesa e perspectivas de intercâmbio com outros países que
se têm mostrado dispostos à cooperação.
São inúmeros os campos do conhecimento científico e
tecnológico de interesse para a defesa da nossa soberania,
entendida em suas dimensões nacional e democrática,
econômica e social. Identificamos vários daqueles campos.
Atentamos, em especial, para a nanotecnologia -uma das
áreas cujo desenvolvimento é considerado indispensável ao
êxito da política industrial recém-lançada pelo governo
federal e cujas aplicações no setor de defesa são múltiplas;
para a necessidade brasileira de dispor, sem prejuízo do uso
da fibra ótica, de uma constelação de satélites; para a
retomada vigorosa do programa espacial; para o
desenvolvimento de equipamentos pessoais modernos e
leves; e para a aceleração do programa nuclear.
Em suma, coincidimos na nossa percepção de que a ciência,
a tecnologia e a inovação trazem embutido o risco de que se
amplie o desequilíbrio de poder entre as nações e
coincidimos na nossa convicção de que o Brasil não deve
poupar esforços para evitar que isso aconteça. Trata-se, aqui,
de um claro pressuposto para a defesa da soberania nacional.
José Viegas Filho, 61, diplomata, é o ministro da Defesa. Roberto
Amaral, 62, advogado e cientista político, é vice-presidente nacional do
PSB. Foi ministro da Ciência e Tecnologia (2003-2004). Luis Manoel
Rebelo Fernandes, 46, doutor em ciência política e sociologia, é
secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia. Ronaldo
Mota Sardenberg, 63, é embaixador do Brasil na ONU. Foi ministro da
Ciência e Tecnologia e secretário de Assuntos Estratégicos da
Presidência da República (governo FHC). Sebastião do Rego Barros,
64, embaixador, é diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo.
Alberto Mendes Cardoso, 63, general-de-divisão do Exército, é
secretário de Ciência e Tecnologia do Exército. Foi ministro-chefe do
Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República
(governo FHC). Erney Plessmann Camargo, 69, é presidente do CNPq.
Carlos Henrique de Brito Cruz, 47, doutor em física pela Unicamp, é o
reitor da universidade. Foi presidente da Fapesp (1996-2002).
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