Aula de redação

Democratização da Informação

Posted on: setembro 26, 2008

Revista Adusp Janeiro 2008

A Câmara dos Deputados, reunindo

cerca de 30 entidades da sociedade

civil. No horizonte, a primeira grande

Conferência Nacional de Comunicação,

marcada para 2008. O

objetivo comum desses movimentos

é instituir o interesse público na

definição das políticas de comunicação,

incluindo as concessões de

canais de rádio e TV.3

O contexto em que tudo isso está

acontecendo é o de uma transformação

profunda, ainda em progressão

veloz, no modo de produção

e no mercado da comunicação.

A passagem dos sinais analógicos

para os digitais permite multiplicar

por até dez o número de canais no

espectro eletromagnético. A Internet

eclodiu como uma nova e poderosa

mídia, além de ferramenta

de trabalho. E mal se passaram alguns

anos, os aparelhos celulares

já podem ser definidos como mais

uma nova mídia, um modo portátil

de ver o mundo e interagir com as

outras mídias.

Além dos cinco jornais de

referência nacional, de

grande visibilidade, mas que

substituíram o jornalismo

factual pela ideologia pura,

o mercado editorial se

enriquece, se diversifica,

graças aos baixos custos

de produção que a Internet

tornou possíveis

Esse conjunto de novos meios

muda por completo o panorama

da comunicação social. Pela primeira

vez, as tecnologias, além de

democratizarem a comunicação,

barateiam custo, descentralizam a

produção. Pela primeira vez, surge

uma tecnologia que dá, a cada ser

humano minimamente inserido numa

sociedade moderna, o direito de

informar, como distinto do direito

de ser informado. Essa é a mais importante

dimensão da Internet.

O barateamento dos custos explica

a explosão de revistas de pequena

circulação hoje no Brasil,

inclusive revistas temáticas de alto

padrão editorial, em todos os campos

do conhecimento e da atividade

humana. Além dos cinco jornais

de referência nacional, de grande

visibilidade, mas que substituíram

o jornalismo factual pela ideologia

pura, descolando-se do sentimento

popular, o mercado editorial se

enriquece a cada dia, se diversifica,

se fragmenta, graças aos baixos

custos do novo modo de produção,

circulação e acesso, desbloqueados

pela Internet.

Os grandes grupos tentam manter

o domínio de mercado através

do controle dos canais de comercialização,

das megafusões e da prática

do super-sinergismo pelo qual

veículos diferentes do mesmo conglomerado

promovem-se uns aos

outros, e da insistência no conceito

de “pirataria”.4 Trata-se, no entanto

de uma ação reativa, que não consegue

frear o desenvolvimento das

forças produtivas da comunicação,

hoje movidas por uma exuberância

tecnológica que torna difícil manter

o padrão anterior de controle. A

nova tecnologia é intrinsecamente

libertária e desconcentradora.

O governo Lula é mais sensível

às demandas dos setores organizados

dos trabalhadores e de

minorias secularmente excluídas.

Por isso mesmo, é hostilizado fortemente

pelas elites tradicionais e,

em conseqüência, pela mídia convencional,

que na América Latina

tem raízes oligárquicas, perfil elitista

e cultura autoritária. Procurando

proteger seus flancos, Lula

firmou, primeiro, um pacto estratégico

com o capital financeiro.

Depois, firmou outro, com a Rede

Globo, valendo-se do poder de retaliação

adquirido pela chegada ao

poder. O governo cobra da Globo

um mínimo de isenção.

As decisões de partir para o recadastramento

e para a formação

de uma rede pública de TV sugerem

o esgotamento do acordo de

convivência com a Globo. Não são

apenas o resultado das lutas pela

redemocratização dentro do aparelho

de Estado. O próprio executivo

convenceu-se de que na campanha

da reeleição a Globo violou as

regras mínimas de isenção, retomando

a postura de querer ditar

os destinos do país em vez de se

limitar a reportá-los.

No contexto ideológico está a

maior fraqueza do campo popular.

O panorama é contraditório,

desafiando uma definição. Na face

visível das manifestações políticas

e culturais parece prevalecer o valor

neoliberal, do “cada um por si,

Deus por todos”. Mas, nas águas

mais profundas, os valores dominantes

são os do “politicamente

correto”, tolerância e pluralismo,

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Janeiro 2008 Revista Adusp

defesa da paz, da solidariedade humana

e da preservação da natureza;

repúdio às agressões e à guerra

contra o Iraque.

A luta pela democratização

da informação parece

atrair movimentos dos mais

diversos matizes. O momento

é promissor, mas basta o

governo usar tudo isso para

renegociar seu pacto com

a Globo, e muito do que se

conseguiu será perdido

A sociedade, sacudida por fenômenos

como a Internet e a liberação

total de costumes, parece se

revitalizar na própria tragédia, nos

seus roteiros de violência e desemprego.

O contingente de jovens nas

universidades cresce exponencialmente.

Em toda a América Latina

os movimentos sociais tomaram a

iniciativa, mudando de modo significativo

a correlação de forças e o

panorama político.

No Brasil, o quadro não é de

anomia e sim de uma ebulição ainda

sem rumo. Muitos movimentos

sociais no Brasil movem-se por

agendas setoriais estanques que

não falam entre si, e o maior partido

político de esquerda demora em

reelaborar suas idéias para tornálas

compatíveis com o atual estado

das forças produtivas e visões de

mundo da juventude. O governo só

agora começa a elaborar um projeto

nacional. A luta pela democratização

da informação parece

atrair movimentos dos mais diversos

matizes. Não só por sua função

instrumental e por atender direitos

difusos, que beneficiam a todos,

como por implicar necessariamente

numa luta pela democratização do

aparelho de Estado. O momento

é promissor, mas basta o governo

usar tudo isso para renegociar seu

pacto com a Globo, e muito do que

se conseguiu será perdido.

Nossa principal frente de atuação

deve se dar em torno da regulação

do novo espectro eletromagnético

ampliado pela digitalização.

Essa luta movimenta os pesos pesados

da indústria da comunicação.

Também está no centro das

propostas temáticas da comissão

autodenominada Pró-Conferência,

que vem se reunindo periodicamente

para preparar a Conferência

de 2008. Os desafios colocados

para todos, em especial para as

forças populares, é enorme, mesmo

porque as variáveis tecnológicas

ainda estão em movimento

de redefinição. O próprio caráter

das novas tecnologias, que pulverizaram

o espectro e popularizaram

o acesso à informação, mas ao

mesmo tempo propiciam a convergência

de plataformas e serviços,

dificulta a aplicação de conceitos

clássicos, como os de concentração

de mercado, monopólio, oligopólio

e cartel.

Durante a conferência preparatória,

ocorrida em setembro em

Brasília, a Frente Nacional Pela

Democratização da Comunicação

defendeu o conceito de uma rede

pública e única com garantia de

acesso universal a todos os sinais

(som, imagem e dados) e que ao

mesmo tempo otimize o uso socialmente

relevante das diferentes plataformas

tecnológicas de comunicação.

Trata-se de inverter a lógica

mercantil da Lei Geral das Telecomunicações

de 1997, baixada com

o objetivo de privatizar tudo, e que

subordinou até mesmo os sistemas

públicos à lógica do mercado. Seu

pretexto principal era o de que a

privatização e competição entre

grupos incrementaria o fluxo da

livre informação, mas aconteceu o

contrário.

Como conseguir que na definição

de uma nova Lei Geral das Telecomunicações

prevaleça a ótica

do interesse público? O recadastramento

é um bom começo, porque

vai nos desvendar quem são

os reais concessionários no Brasil.

Mas dada a correlação de forças no

Congresso, a complexidade técnica,

e a tendência do governo de ceder

em áreas que não considera estratégicas,

para obter apoio em outras

áreas, é muito difícil conseguir-se

uma mudança tão profunda.

É prioritário desenvolver o ativismo

dentro do Conselho Consultivo

de revisão da Lei Geral das

Telecomunicações, anunciado pelo

ministro Hélio Costa. É possível

nesse âmbito focar uma agenda mínima

factível; alguns princípios por

uma nova regulação democrática,

que independam da forma como se

completará a transição tecnológica.

Um rol de especificações bem

claras. Tais como: (a) controle púbico

do processo de concessões do

espectro; (b) abertura do espectro

a entidades da sociedade civil; (c)

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Revista Adusp Janeiro 2008

impedir por normas claras o monopólio

regional e o monopólio cruzado;

(d) subordinar a concessão à

apresentação de projetos editoriais

harmônicos com políticas públicas

previamente acordadas em fóruns

legítimos e democráticos; (e) regras

claras de operação, limitando

tempo de propaganda, obrigando

tempo mínimo de noticiário e taxa

mínima de ocupação com produção

nacional e regional.

Nosso trabalho de crítica e

acompanhamento de mídia

já conseguiu forçar dirigentes

da mídia convencional a

uma explicação pública de

suas práticas. Mas é pouco,

frente ao fosso que separa a

prática jornalística no Brasil

dos princípios éticos autoproclamados

pelo jornalismo

A constituição da rede pública

de TV é hoje a nossa segunda mais

importante frente de luta, mesmo na

perspectiva de declínio relativo da

importância da TV no futuro próximo

frente à Internet.5 O movimento

pela democratização da informação

tem uma estratégia clara para entrar

na briga pela definição do caráter

da rede pública? Parece que não.

As definições vêm se dando aos pedaços,

tentando por um lado acomodar

disputas internas de grupos

palacianos e por outro, não assustar

o campo conservador. Daí o cuidado

extremo na formação de seu corpo

dirigente e de seu conselho, formados

por quadros do próprio sistema

dominante. Procura-se a legitimidade

mimetizando. “Na crise surge

uma grande variedade de sintomas

mórbidos”, disse Gramsci nos seus

Cadernos do Cárcere. A crise consiste

precisamente no fato de que “o

velho está morrendo, e o novo ainda

não consegue nascer”.

Vamos torcer e trabalhar para

que a TV pública não seja apenas

mais um “sintoma mórbido”, mais

um apêndice culturalmente melhorado

do sistema de comunicação

de massa mercantil. É preciso que

ela tenha peso no processo de formação

da agenda nacional e se guie

por princípios de pluralidade, radicalidade

jornalística e republicanismo.

Não é impossível tirar o projeto

de TV pública de seu invólucro

defensivo e burocrático. A explosão

criativa do cinema nacional mostra

que há vida além da Rede Globo

e da Globosat. Que há uma nova

geração de artistas e intelectuais

querendo falar e tendo o que falar.

Eles deveriam estar no cerne da rede

pública de TV.

Nossa terceira frente de luta é

a interna, na esfera da ética jornalística.

Nosso trabalho de crítica e

acompanhamento de mídia já conseguiu

forçar dirigentes da mídia

convencional a uma explicação pública

de suas práticas. Mas é pouco,

frente ao fosso que separa a prática

jornalística no Brasil dos princípios

éticos auto-proclamados pelo jornalismo.

Não por acaso, o Brasil é o

país em que há mais processos contra

jornalistas, em termos relativos,

por crimes de imprensa.6

As entidades de acompanhamento

de mídia podem aumentar muito

sua capacidade de intervenção, alargando

a brecha já aberta, se optarem

por críticas tópicas mais imediatas,

em cima de episódios específicos.

Ao mesmo tempo podem robustecer

sua ação, aumentar em muito

sua legitimidade, intensificando seus

contatos com a academia, que faz

estudos mais metódicos, mas num

tempo de maturação mais lento.

A frente da ética é difícil porque

muitos jornalistas tiram o corpo, alegando

que “são os patrões que mandam

fazer assim”. Os sindicatos e a

Fenaj contribuíram para essa dissociação,

criando um “código de ética

dos jornalistas”, que não é negociado

com o patronato e muito menos

por eles subscrito. Além disso, o código

de ética dos jornalistas brasileiros

é meramente simbólico, porque

a maioria dos jornalistas o ignora e

os comitês de ética dos sindicatos só

funcionam nos casos de defesa de

interesses corporativos. Não punem

as violações da ética profissional.

Também tratam indiferentemente

jornalistas e assessores de imprensa.

Nessa esfera deveríamos encetar

uma campanha por etapas, que conseguisse

num primeiro momento,

seja através de acordos coletivos de

trabalho ou por lei do Congresso,

a implantação da cláusula de consciência

nas redações. Uma cláusula

que proteja o jornalista contra

punições por motivos de opinião.

Seria interessante também impedir

a prática do anonimato, que já é

vedado pela Lei de Imprensa, mas

praticado amplamente. Instituir a

assinatura das matérias como prática

obrigatória.

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Janeiro 2008 Revista Adusp

Não se pode culpar o patronato

por defender seus interesses.

Foi para isso que se criaram

grandes jornais de referência

nacional, que pautam a mídia

eletrônica. Pode-se, isso sim,

culpar a esquerda, por até hoje

não ter lançado um grande

jornal de referência nacional

Finalmente, a grande pergunta:

o que fazer com a mídia oligárquica

impressa? Não há nada a fazer, exceto

criar mídias impressas do campo popular.

Se nos meios eletrônicos devem

prevalecer critérios claros de neutralidade

política, já que são concessões

do poder público, nos meios impressos

o princípio geral é a liberdade total de

alinhamento ideológico e mesmo partidário,

incidindo apenas as restrições

da Lei de Imprensa, que tipifica crimes

de injúria, calúnia e difamação.

É válido o esforço de desconstrução

do discurso da mídia porque pode

colocar na defensiva os promotores

da mentira ou do golpe. Mas não

se pode culpar o patronato por defender

seus interesses. Foi para isso

que criaram grandes jornais de referência

nacional, que pautam a mídia

eletrônica. Pode-se, isso sim, culpar

os movimentos sociais e centrais sindicais,

ou partidos que se dizem de

esquerda, por não terem lançado até

hoje um grande jornal de referência

nacional que defenda os interesses

populares e nacionais. Que se contraponha

à mídia impressa oligárquica.

Muitos fatores explicam os recorrentes

fracassos dos projetos de

mídia impressa da esquerda. Em

primeiro lugar, o sectarismo, que

dificulta a colaboração entre grupos

de extrações ideológicas diferentes,

seja na produção ou na distribuição.

Os veículos tornam-se instrumentos

de disputa interna ou externa. Esse

foi o mecanismo que enterrou quase

toda a imprensa alternativa nos anos

1970. No mundo sindical, em que o

lançamento de um jornal nacional

poderia até mesmo economizar recursos,

ao consolidar grande número

de pequenos jornais, predomina

a atomização, a subordinação das

ações de comunicação aos interesses

políticos do grupo dirigente ou limitando-

as às lutas locais da categoria.

As dezenas de jornaizinhos e revistas

produzidas pelos sindicatos

exercem alguma influência na base

social, mas não conseguem quebrar

o monopólio da formação da agenda

dos grandes veículos oligárquicos de

comunicação de massa. Para isso, o

movimento popular também teria

que ter um grande veículo de comunicação

de massa, e que se dirigisse

aos grandes temas nacionais. Mas poderia

o campo popular desempenhar

esse papel, se também ele não é portador

de um projeto nacional, apenas

de pautas setoriais e corporativas?

Jornais eletrônicos na Internet são

a nova oportunidade do campo popular,

pelo seu baixo custo e modernidade

intrínseca. A dinâmica está na

Internet. Se eu fosse hoje fazer um

projeto de um jornal de influência nacional,

optaria por um site na Internet,

de alto padrão jornalístico, capaz de

gerar sua própria reportagem, com

uma coluna analítica e interpretativa e

uma janela de TV Web, para debates.

Uma espécie de UOL de esquerda: é

o que se deveria tentar hoje no Brasil,

com os recursos disponíveis. Seria o

melhor projeto do ponto de vista da

relação custo-benefício, além de se

situar na vanguarda tecnológica.

Notas

1 Entre eles, Observatório Brasileiro de Imprensa, Observatório Brasileiro de Mídia, Observatório

Brasileiro do Direito à Informação, Monitor de Mídia; Boletins da FNDC, da

Epcom e da Intervozes, “Vermelho” (PCdoB), Carta Maior, Rede Nacional de Jornalistas

Populares; Blog do Professor Chaparro.

2 Até hoje, sindicatos têm que alugar espaço em tevês ou emissoras de rádio para veicular seus

pontos de vista. É o que faz a Corrente Sindical Classista, do PCdoB, especialmente na

Bahia. A CUT em São Paulo fez um convênio com a Rádio 9 de Julho, da Cúria, para

transmitir o seu programa “Bom Dia Trabalhador”.

3 Essa concessões são o exemplo extremo da ilegalidade e apropriação do espaço público por

interesses privados. Durante sucessivos governos serviram de moeda de troca em barganhas

políticas e hoje 51 deputados e 27 senadores controlam, direta ou indiretamente,

emissoras de rádio ou Tevê. Entrevista do professor Venício Lima à Rede Nacional de

Jornalistas Populares, julho de 2006.

4 Um exemplo de megafusão é da AOL com a Time-Warner em 2000, com valor de mercado estimado

então em US$ 350 bilhões. Um exemplo de tentativa de controle da distribuição é

a compra da Chinaglia pela Dinap, este ano, dando origem à distribuidora Treelog S/A. Se

for aprovada pelo Cade, a nova empresa terá domínio de praticamente 100% do mercado,

criando-se um problema gravíssimo de monopólio num setor vital da sociedade.

5 Esse declínio já é notável hoje, com a perda de 3,6 pontos de audiência pela Rede Globo, sem

ganho significativo das outras redes. Dados de setembro de 2007 em relação a outubro de

2006. Conforme Daniel Castro in Folha de S. Paulo.

6 Relatório da ONG “Artigo 19”, da Inglaterra. Conforme “Vermelho”, site do PCdoB, 19/10/07.

Sobre o autor

Bernardo Kucinski, físico, jornalista, é professor

titular (aposentado) da Escola de Comunicações e Artes

da USP. Autor de vários livros, entre os quais Jornalistas

e Revolucionários: nos tempos da imprensa alternativa

(Scritta, 1991) e Jornalismo na era virtual: ensaios sobre

o colapso da razão ética (Perseu Abramo/Unesp, 2005).

Sobre o texto

Originalmente apresentado para discussão na mesa “Os

Observatórios de Mídia e Democracia”, do Fórum Internacional

Mídia, Poder e Democracia, realizado em Salvador de

12 a 14 de novembro de 2007, promovido pela Faculdade

de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, Observatório

Brasileiro de Mídia e outras entidades.

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Revista Adusp Janeiro 2008

Se achar melhor leia aqui.

http://www.adusp.org.br/revista/42/rev42.pdf

…………………………………………………………………………….

A (r)evolução é urgente, necessária e está em pleno curso. Tentar freá-la é impossível, os modelos tradicionais de produção e disseminação de informação e cultura caíram por terra, o conteúdo colaborativo é um fato, necessita de ajustes e melhorias, porém sua solidificação é inevitável, a idéia do “povo falando por si” é forte demais para ser ignorada.

Houve um tempo em que o povo realmente precisava de pessoas intelectualmente preparadas para protestar, mostrar sua realidade. Os pequenos-burgueses, com seus violões, iam à favela, ao morro, chegavam na periferia e, arrebatados de uma grande dó, cantavam essa realidade em suas bossas, em seus sambas sofisticados, salvando (ou tentando salvar) o povo da miséria, da falta de expectativas.
Depois de algum tempo, o povo descobriu que poderia se manifestar por si próprio, seja por meio dos sambas populares, dos acordes furiosos do punk rock ou da batida forte do rap. Descobriu que era o mais adequado para expressar suas opiniões sobre situações reais, já que vivenciava aquilo tudo no seu dia-a-dia.”

Continue aqui

http://www.cultura.gov.br/site/2008/01/20/web-20-andrew-keen-e-a-democratizacao-da-informacao/

………………………………………………………………..

Uma das grandes contribuições que as
tecnologias da informação e comunicação
podem oferecer no relacionamento entre
o governo e a população é (teoricamente) uma
administração pública mais transparente e eficaz
para a prestação de serviços, sobretudo os serviços
de informação. A administração pública vem
seguindo o exemplo do setor privado e se beneficia
do enorme potencial das novas tecnologias para
melhorar sua eficácia. Não só melhorando o
funcionamento interno das instituições públicas,
como também o relacionamento entre as diferentes
administrações e a interação com os cidadãos e
empresas (FERNÁNDEZ MOLINA, 2005).

Continue aqui

http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/article/view/624/1478

Indios on line

http://www.indiosonline.org.br/


…………………………………Mais



Falar sobre povos indígenas, num primeiro momento, diz respeito à idéia de preservação desses grupos que durante séculos foram dizimados e roubados. Mas, com a invasão à cultura dos índios e a ligação dos mesmos a uma vida agitada, movida pela cobrança de mais conhecimentos e preparo para enfrentar o mercado, hoje é difícil localizá-lo como um grupo que ainda mantém seus costumes e tradições. É claro que ainda existem uns poucos isolados na mata que não foram atingidos totalmente pela “cultura dos brancos” e que têm como meta ser o que são. Assim, para os que se podem chamar de “legítimos” e os “misturados” brasileiros estão sendo levadas as novas tecnologias, principalmente no que tange a um computador ligado à Internet. Mas, até que ponto isso é realmente uma forma de inclusão digital? Será que é necessário levar mais um ser invasor a estes povos e modificar as suas vidas?
Normalmente, numa comunidade que tem seus costumes e tradição, sobreviventes de uma organização de seus mestres, chefes e pajés, a cultura é passada, em muitos casos, oralmente, e por modos e comportamentos ensinados e usados por todos. É o caso de grupos que ainda mantêm seus rituais em momentos tristes e alegres da tribo. E que se sentem violentados com costumes impostos como o dever de saber ler, escrever e viver dos “brancos”. Algo que já foi bastante discutido, porém que ainda se mantém vivo nas tribos.
Imagine o índio “puro” em sua essência que ainda não teve um contato prolongado com os “brancos”, mas vive isolado nas matas, e, de repente, por iniciativa de uma ONG e de estudiosos interessados em “preservar” e divulgar essa cultura para outros (que não têm o mesmo objetivo de seus habitantes – uma vez que a linguagem do “branco” não faz parte da cultura indígena) invade a tribo com uma máquina moderna capaz de mostrar o mundo lá fora e poder divulgar a vida daquele grupo. Será que isso ajudaria “realmente” na preservação da cultura desse povo ou seria mais um ingrediente para modificá-la?
Na matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo, em 26 de outubro de 2000, por Léo Castro, registra-se que 500 índios da Reserva Xapecó, em Ipuaçu (SC), ganharam do governo do Estado a escola “Cacique Vanhkrê” num formato de oca com um ginásio de esportes, que parece um tatu, e um centro cultural, em forma de tartaruga. Além disso, resolveram informatizar a escola, garantindo o acesso à Internet. Dar a impressão de estar numa tribo. Mas, ao mesmo tempo, com o espírito que é preciso vencer e ser como um “branco” a confusão passa a invadir a inteligência dos mesmos, pois a cultura do povo capitalista destoa de um grupo que aprende que não é preciso ter dinheiro para viver. Para aqueles que não foram tão agredidos culturalmente, a terra, a floresta e a comunidade são essenciais para a vida indígena.
Analisando as matérias e textos jornalísticos disponibilizados nas últimas semanas, percebe-se que há uma mobilização em “incluir digitalmente” o índio brasileiro. Com o projeto “Rede Povos da Floresta” do Comitê para Democratização da Informática (CDI) e da StarOne, uma das maiores empresas de soluções via satélite no Brasil, foram conectadas na rede mundial de computadores as aldeias Ashaninka e Yawanawa, localizadas no Acre, e a Sapucay, no Rio de Janeiro. A conexão é via satélite, sendo que os computadores são movidos pela energia solar. Além disso, os índios recebem um treinamento, se tornando responsáveis pelos equipamentos, pela tecnologia e pelo acesso à internet. A inclusão digital dos povos tem o apoio de ONGs indigenistas, como a Comissão Pró-Índio do Acre (
http://www.cpiacre.org.br). A meta é fazer com que eles tenham contato com outros grupos e divulguem sua cultura. Incluir digitalmente o índio brasileiro é algo que ainda causa muita polêmica, porém não se pode ignorar o fato que muitos apenas nasceram numa tribo e vivem misturados com um povo que, muitas vezes, não conhece e ignora sua cultura. Os nascidos e jogados num lugar diferente acabam incorporando o modo de ser e de viver do outro – mesmo que lhe seja estranho, e assim transforma-se num índio pós-moderno que ainda tem suas raízes, mas quer viver como os que lhe conquistaram e dizimaram seus familiares. Se, alguns já não podem mais manter a cultura de seus antepassados, uma vez que têm uma identidade mista, então que estes, pelo menos, sejam inseridos como cidadãos que têm direitos e deveres como um outro qualquer da sociedade brasileira. A terra, independente de colonização, é um direito que tenta resgatar um pouco da dignidade roubada, porém a Internet somente deve ser dada se estes realmente quiserem, pois no mundo virtual a realidade mistura todos e acaba mexendo na identidade de seus navegantes. por Profª Eula D. Taveira Cabral
Editora do Informativo SETE PONTOS


http://www.comunicacao.pro.br/setepontos/8/indios.htm

Voltando à baila

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